Brasil bate recorde de endividamento familiar com 80,9% das famílias em dívida

Brasil Alcança Maior Nível de Endividamento Familiar em 2026
Em 2026, o Brasil registrou o maior índice de endividamento familiar desde o início da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Segundo o levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida.
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Essa alta é atribuída à combinação de juros elevados, o uso crescente do crédito rotativo, o aumento do custo de vida e a popularidade de apostas online (bets) como forma de financiamento.
Impactos do Superendividamento
O aumento do comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas gerou preocupação entre especialistas. O senador Flávio Arns (PSB-PR) declarou: “Em um país com os juros mais altos do mundo, precisamos avançar em mecanismos permanentes de proteção às famílias e em políticas de educação financeira para evitar o efeito bola de neve das dívidas”.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) argumentou que programas de renegociação de dívidas não combatem o problema estrutural do endividamento da população, citando a experiência do primeiro Desenrola Brasil, que resultou em um aumento de 15% nas dívidas renegociadas em dois anos.
Novas Medidas e Desafios
O Congresso Nacional discute medidas para proteger os consumidores endividados e fortalecer programas de renegociação, como o Novo Desenrola Brasil, relançado pelo governo federal em maio de 2026 através da Medida Provisória 1.355/2026. O programa oferece descontos de até 90% nas dívidas, juros de 1,99% ao mês e a possibilidade de usar o FGTS para pagamento.
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O senador Flávio Arns enfatizou que, embora o Novo Desenrola tenha impacto social imediato, são necessárias medidas estruturais de médio e longo prazo. O senador Rogério Marinho criticou o governo por oferecer “velhas fórmulas” e sugeriu o uso do FGTS para pagamento de dívidas, o que, segundo ele, segrega o recurso.
Custo do Crédito e Impacto no Consumo
Em abril de 2026, o custo do crédito atingiu níveis alarmantes. O cartão de crédito rotativo, com taxas que podem chegar a 440,5% ao ano, é a principal fonte de endividamento para 83,6% das famílias, comprometendo 54% da renda familiar. A economista Catarina Carneiro da CNC alertou que essa alta parcela de dívidas no cartão “freia a intenção de consumo das famílias”.
Outras modalidades de crédito, como o cartão parcelado (181,2% ao ano) e o cheque especial (130% ao ano), também contribuem para o problema. O economista Rodrigo Saraiva Marinho, CEO do Instituto Livre Mercado, atribuiu o problema aos juros elevados, decorrentes do desequilíbrio das contas públicas brasileiras.
O governo não consegue se sustentar com a arrecadação, e o resultado é um alto custo do crédito.
Fatores Estruturais e Proteção Social
Além dos juros elevados, novos fatores estruturais, como o impacto das apostas online (bets) no consumo e o aumento dos custos de vida, têm forçado as famílias a utilizarem o crédito como complemento salarial. O comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas atingiu 49,9%, sinalizando que metade do que as famílias recebem está comprometida com dívidas.
Para mitigar os riscos, o Novo Desenrola Brasil estabelece uma regra que impede que os participantes realizem apostas online (bets) por 12 meses. Além disso, o programa oferece suporte social e educação financeira para ajudar as famílias a organizar suas finanças.
Considerações Finais
O cenário de endividamento familiar no Brasil em 2026 reflete a complexidade da economia e a necessidade de políticas públicas que promovam o crescimento econômico sustentável, a geração de empregos e o acesso ao crédito com juros mais baixos.
A implementação bem-sucedida do Novo Desenrola Brasil e outras medidas estruturais são cruciais para reverter essa tendência e garantir o bem-estar financeiro das famílias brasileiras.
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