Professor da UnB: IGs são estratégias para proteger história e território

Professor da UnB Aponta Mudanças Cruciais para o Futuro das Indicações Geográficas
Em junho de 2026, o professor Jean-Louis Le Guerroué, da Universidade de Brasília (UnB), e um dos principais pesquisadores de indicações geográficas no Brasil, detalhou uma transformação no cenário das IGs. A afirmação, que resume uma discussão crescente entre produtores, entidades setoriais e centros de pesquisa, ressalta a importância da preservação territorial para a definição do futuro das IGs.
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O pesquisador, que acompanha o setor há duas décadas, enfatizou que a próxima etapa das IGs será definida pela capacidade de manter vivos os territórios que sustentam a reputação dos produtos.
A discussão envolve questões que abrangem da preservação ambiental à sucessão geracional, passando por governança, rastreabilidade, biodiversidade e adaptação climática. O tema já é abordado em fóruns internacionais e centros de pesquisa na Europa, com crescente impacto no debate brasileiro. “As indicações geográficas não são mais apenas proteção de um nome.
Hoje elas são estratégias para proteger a história, os recursos e o saber-fazer de uma comunidade”, declarou Le Guerroué, que participou do Connection Terroirs do Brasil, realizado em Gramado (RS).
Dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revelam que o Brasil possui 175 Indicações Geográficas registradas, com 132 Indicação de Procedência (IP) e 43 Denominações de Origem (DO). A diferença entre as modalidades reside no grau de vínculo com o território.
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Enquanto a IP reconhece a reputação de uma região produtora, a DO exige a comprovação de que as características do produto são resultado direto de fatores naturais e humanos específicos daquela localidade. O pesquisador destacou que avançar para uma Denominação de Origem exige pesquisas complexas e investimentos elevados, necessitando de estudos que demonstrem relações entre microbiota, ambiente, genética e qualidade dos produtos, podendo envolver custos entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.
A questão financeira explica a diferença entre o número de IPs e DOs registradas no país. Muitas associações de produtores optam pela Indicação de Procedência por exigir um nível menor de comprovação científica. A oriGIn, aliança global das Indicações Geográficas, publicou em maio de 2026 os resultados de sua quinta pesquisa anual, abrangendo 32 grupos de IG de 20 países, com um faturamento de 73,1 bilhões de euros (R$ 467,84 bilhões na cotação atual) e 640 mil empregos diretos.
Essas IGs representam mais de 1 milhão de km² de área e atraem cerca de 14 milhões de visitantes por ano.
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