Trump enfrenta crise no rebanho americano e tarifas elevam importações de carne

Tarifas elevam importações de carne, expondo crise no rebanho americano e frustrando promessas de Trump

19/06/2026 00:00

3 min

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A Crise no Rebanho Americano: Um Mercado que Não Responde à Ordem Executiva

Em 1º de junho de 2026, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentava um cenário complexo no mercado de carne bovina. A promessa de reduzir os preços dos alimentos, central na sua plataforma política, não se concretizava, apesar de ordens executivas e investigações do Departamento de Justiça.

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A principal dificuldade residia na falta de resposta do mercado à sua estratégia, especialmente no caso da carne bovina, produto com preços particularmente sensíveis.

A Realidade do Rebanho Americano: Contração e Escassez

A pecuária americana, outrora modelo global de eficiência, acumulou desafios estruturais na última década. O resultado é um rebanho em contração, com um número recorde de vacas de corte – 27,6 milhões em 1º de janeiro de 2026, o menor desde 1960 – e uma queda de 4,03 milhões de vacas de corte em sete anos consecutivos.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/ERS) e o USDA/NASS, o inventário total de bovinos era de 86,155 milhões, o menor desde 1951. A seca, que afetou quase 93% das pastagens americanas em 2023, foi um fator crucial nessa contração, elevando os preços do gado e dificultando a produção.

Importações em Ascensão e Tarifas Adicionais

Diante da escassez, o mercado americano aumentou suas importações de carne bovina. Em 2026, o México se tornou um importante fornecedor, com 1,24 milhão de bovinos importados nos primeiros dez meses do ano, impulsionando as importações totais de carne bovina para 562.000 toneladas métricas.

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Para compensar a falta de oferta interna, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, em uma medida que, paradoxalmente, aumentou as importações de carne bovina brasileira, que atingiu 159.729 toneladas no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.

Investigações e Impacto Econômico

O procurador-geral interino Todd Blanche ordenou uma investigação das quatro maiores empresas do setor frigorífico americano, suspeitando de cartel, fixação de preços e manipulação de mercado. Apesar da investigação, o preço da carne bovina no varejo continuou a subir, atingindo níveis recordes desde junho de 2025, com uma inflação geral de alimentos nos EUA de 3,2% em doze meses e um aumento de 14,8% na carne bovina em abril de 2026 em relação ao ano anterior.

O USDA projeta que essa tendência continue, com um aumento adicional de 12,1% para o restante de 2026.

Brasil como Alívio e Desafios Futuros

O Brasil se tornou um importante fornecedor de carne bovina para os EUA, superando os Estados Unidos na produção global em 2025. A cota tarifária da categoria “Other Countries” foi reduzida, mas a demanda americana por carne bovina continuou alta, impulsionando as exportações brasileiras para 11,741 milhões de toneladas em 2026, um aumento em relação aos 12,370 milhões de toneladas previstas para os EUA.

O governo Trump estudava a possibilidade de suspender temporariamente os limites quantitativos do sistema TRQ para aumentar ainda mais o volume de importações, o que beneficiaria principalmente parceiros com cotas próprias, como Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Argentina.

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