Fraudes na América Latina: Por que a engenharia social supera a IA em pagamentos?

Fraudes em Pagamentos: O Desafio da Engenharia Social na América Latina
A América Latina apresenta índices elevados de fraudes, e o Brasil é um destaque nesse cenário, conforme aponta Dener Souza, diretor de Risco. Ele revela que, a cada US$ 100 em vendas, cerca de US$ 0,07 são perdidos com fraudes. Souza afirma que, ironicamente, “nós exportamos os golpes”.
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Curiosamente, ele ressalta que os golpes não dependem de softwares avançados de inteligência artificial. “Cada vez mais experimentamos uma volta ao passado, porque por mais que a tecnologia avance, a gente vem sofrendo cada vez mais com engenharia social“, comenta Souza.
A Vulnerabilidade do Consumidor no Ecossistema de Pagamentos
Os golpes mais comuns envolvem a engenharia social, como ligações falsas de supostos gerentes bancários. Souza aponta que, embora o emissor, as bandeiras e os comércios tenham criado uma forte estrutura de prevenção, o elo mais fraco dessa cadeia é o consumidor.
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Tipos de Fraudes em Aumento
Existem diversas modalidades de golpes. Um exemplo é receber ligações de supostos comerciantes, alegando um presente e pedindo apenas o pagamento da taxa de entrega por cartão. Outro caso são SMS alertando sobre compras não reconhecidas, exigindo confirmação de dados da vítima.
Embora a inteligência artificial ainda não tenha aumentado o volume de fraudes, o risco existe. O uso de deep fake é uma ameaça real, permitindo que fraudadores capturem traços faciais e de voz para burlar sistemas biométricos bancários.
A Tecnologia como Barreira de Defesa Contra Fraudes
Uma estratégia crucial para mitigar fraudes é a tokenização. Este processo substitui os dados reais do cartão por um código digital único, válido apenas em um ambiente específico, como um aplicativo ou site.
Além disso, as transações passam a considerar o “device”, ou seja, o aparelho usado pelo cliente. Isso cria um vínculo robusto entre o cartão, o dispositivo e até a biometria, como reconhecimento facial ou digital. Na prática, o fraudador precisa replicar todo o contexto da transação.
Benefícios da Combinação de Segurança
Souza explica que a combinação de cartão Y + dispositivo X + biometria permite ao sistema identificar padrões de uso e comportamentos suspeitos com maior precisão. Isso torna as transações mais seguras, sem exigir etapas adicionais de autenticação em compras subsequentes.
A tokenização já demonstrou resultados positivos, reduzindo fraudes em 60%. Contudo, o especialista alerta que os mecanismos de checagem bancária permanecem ativos; transações incomuns, como dez pagamentos em cinco minutos, ainda chamarão a atenção do banco.
Inovações e Próximos Passos no Setor de Pagamentos
A tokenização foi facilitada pelo crescimento dos comércios digitais, e Souza mencionou que não houve grande dificuldade em convencer o comércio a adotar essa medida. Ele também destacou a contestação de compras como um aliado importante do setor de cartões, algo que o Pix ainda precisa aprimorar.
Compras Agênticas e a Visa
A Visa está estruturando o avanço das chamadas de compras agênticas, onde agentes de IA realizam transações em nome dos usuários. O foco principal é a autenticação do portador e a preparação de toda a cadeia de emissores.
Adriana Umeda aponta que um ponto em estudo é garantir que o agente opere respeitando as preferências e limites do consumidor. A meta é que o agente não realize compras aleatórias, mantendo a governança da decisão sempre com o titular do cartão.
O processo já saiu da fase experimental, com a Visa realizando transações no Brasil, visando a produção.
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