Criadores alertam para fim da “creator economy” no Web Summit Rio

Criadores preveem o fim da “creator economy” no Web Summit Rio, com projeções de desaceleração do mercado global e foco na autenticidade

25/06/2026 18:20

4 min

Deborah-Secco
Deborah-Secco

Criadores, Empresárias e Pesquisadores Alertam para Fim da Explosão da Economia Criadora no Web Summit Rio

No Riocentro, no Rio de Janeiro, desde o dia 18 de Outubro de 2026, um jornalista credenciado para cobrir o maior evento de tecnologia do mundo, o Web Summit, testemunhou conversas cruciais. A cobertura se estendeu além dos palcos, explorando os corredores e interações entre criadores de conteúdo, empresárias e pesquisadores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A principal revelação surgiu em conversas com esses profissionais, que apontaram para o fim da fase de crescimento exponencial da “creator economy“.

Conversas nos Corredores Revelam Mudança no Cenário

As discussões não se concentraram em inteligência artificial, geopolítica da tecnologia ou investimentos bilionários. Em vez disso, emergiram das entrelinhas de três conversas com criadores, empresárias e pesquisadores. Cada um, à sua maneira, expressou a mesma premissa: a fase de explosão da “creator economy” chegou ao fim.

O evento, que reúne 40 mil pessoas, 1.572 startups e 688 investidores, foi idealizado por Paddy Cosgrave e nasceu em Dublin em 2009, e escolheu o Brasil como sede permanente.

Dados e Projeções Apontam para um Setor Maduro

Segundo estimativas do Goldman Sachs, o ecossistema da “creator economy” movimenta cerca de US$ 250 bilhões globalmente, podendo atingir US$ 480 bilhões até 2027. O IAB projeta que os investimentos publicitários em criadores atinjam US$ 37 bilhões em 2025.

Leia também

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essas cifras indicam um setor maduro, onde a busca por novas formas de crescimento se torna mais complexa. “Nosso papel não é colocar no palco pessoas porque elas já são conhecidas. O que tentamos fazer é oferecer uma janela para o futuro”, afirmou Paddy Cosgrave, fundador do Web Summit.

Paradoxo da Qualidade e a Importância da Autenticidade

MariMoon, apresentadora, influenciadora e uma das vozes mais antigas e honestas do mercado, observou a transformação técnica do setor: “Antigamente, o conteúdo era muito mais tosco, sem refinamento e sem grandes expectativas. Atualmente, criadores produzem em casa algo que está de igual para igual com trabalhos que ganham Cannes.

O nível técnico cresceu de uma forma impressionante e ocupou um espaço que antes pertencia quase exclusivamente às grandes agências”. A observação de MariMoon ressaltou o paradoxo: a facilidade de produção de conteúdo de alta qualidade contrasta com a dificuldade de construir conexões genuínas. “Em tempos de inteligência artificial, quanto mais humano, autêntico e até imperfeito o conteúdo parece, melhor ele funciona”, disse ela.

A Ascensão da Comunidade e o Desafio da Sustentabilidade

Deborah Secco, atriz e empreendedora, diagnosticou a transformação do setor: “Eu acho que viramos uma indústria. E, talvez, agora seja a hora de dar alguns passos para trás. Quando esse mercado começou existia uma influência mais genuína. Depois, passamos por uma fase em que muita gente virou quase uma miniagência e tudo ficou muito marketing e pouca verdade.

Eu torço para que esse seja um momento de retorno ao que realmente conecta”. Alcance aluga. Comunidade pertence Christian Gonzatti é doutor em Ciências da Comunicação e criador do Diversidade Nerd – alguém que pensa o ecossistema tanto de dentro quanto de fora.

Quando trouxe a questão da diferença entre audiência e comunidade, ele entregou a reflexão mais precisa do dia – e depois, Manuela Villela, CEO da Flint.me e parceira do Web Summit no squad de criadores, completou com a visão de quem opera esse mercado todos os dias.

Gonzatti primeiro: “Ter milhões de seguidores, que passam rapidamente pelo seu conteúdo, pode gerar alcance, mas não necessariamente influência. O alcance aluga um espaço no feed por alguns segundos. A comunidade é outra coisa. É aquele grupo de pessoas que acompanha você quando a plataforma muda, que financia seus projetos, compra seus produtos e compartilha uma visão de mundo”.

Manuela, na sequência: “Hoje fica cada vez mais claro que o verdadeiro valor está na qualidade da conexão. Engajamento não é apenas alcance em números absolutos. É a capacidade de gerar identificação, confiança e influência real dentro de uma comunidade”.

Fim da Fase de Descoberta e a Busca por Permanência

Ao longo das conversas, uma sensação se tornou evidente: a fase de descoberta e explosão da “creator economy” chegou ao fim. O debate agora gira em torno de permanência, reputação, comunidade e confiança, palavras que não cabiam no vocabulário de um setor que vivia de viralização.

O que o dia me deixou foi a percepção de que o crescimento não é sinônimo de amadurecimento. Os sinais estão nos dados do Goldman Sachs, nos números do IAB e nas conversas que acontecem nos corredores de um evento global instalado no Rio de Janeiro, onde as perguntas mais importantes do dia não vieram dos palcos principais.

Vieram de quem construiu algo real e agora tenta entender como sustentar.

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!