Tyson Foods mantém operação em Lexington após crise na oferta de carne nos EUA. A empresa demite 3.200 funcionários e mantém 292 colaboradores para encerramento
A Tyson Foods, uma grande empresa de alimentos e processamento de proteínas, anunciou uma medida temporária para manter a operação do frigorífico de Lexington, em Nebraska. Essa decisão ocorre em meio a uma crise na oferta de carne nos Estados Unidos.
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A empresa planeja demitir cerca de 3.200 funcionários da unidade, mas cerca de 292 colaboradores permanecerão empregados por um período que pode variar entre 3 e 185 dias, auxiliando nas etapas finais do encerramento das atividades.
A crise da carne nos Estados Unidos é motivada pela redução na oferta de gado. Os custos operacionais aumentaram e a rentabilidade dos frigoríficos foi pressionada. A Reuters informa que as autoridades locais esperam que a Tyson Foods encontre outra destinação para o espaço, buscando minimizar os impactos econômicos em Lexington, uma cidade com aproximadamente 10 mil habitantes.
A planta de carne bovina da Tyson opera na cidade desde 1990.
A medida faz parte da estratégia da companhia para reestruturar sua rede de processamento diante dos desafios do setor. A oferta de carne deve se agravar em 2026, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A previsão é de que a oferta recua 5,6% neste ano em relação a 2025, para 2,4 milhões de toneladas em equivalente carcaça (TEC), no segundo ano consecutivo de queda.
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Essa estimativa reflete restrições na produção doméstica, mudanças no comércio internacional e maior concorrência global. A oferta deve cair 1% em 2026, para 11,7 milhões de toneladas.
A crise da carne nos EUA tem se intensificado nos últimos cinco anos. O setor enfrenta uma contração do ciclo pecuário, com redução do rebanho e menor disponibilidade de animais nos confinamentos. Desde 2019, o número de animais de corte recuou para 27,9 milhões — queda de 13% — e o inventário total de bovinos está no menor patamar desde 1952, segundo o USDA.
A seca no oeste do país elevou custos com ração e reduziu pastagens, levando muitos pecuaristas a diminuir seus rebanhos. Apesar de sinais recentes de recomposição do rebanho, a recuperação leva tempo.
Em novembro de 2025, a redução na entrada de gado nos confinamentos foi de 11% em relação ao ano anterior. No entanto, o número de animais em confinamento por mais de 150 dias cresceu 25% em um ano, indicando que muitos bois prontos para o abate ainda não foram enviados aos frigoríficos. Esse represamento tende a deslocar a oferta para o segundo semestre de 2026, quando esses animais serão abatidos, resultando em um pico de abates concentrado em um curto período, o que pode desorganizar o fluxo de produção.
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