Febre Aftosa ameaça China e comércio de carne: o que esperar de 2026?

Febre Aftosa Ameaça China e Impacta Comércio de Carne
A doença da febre aftosa tem se disseminado pela China, e dados oficiais do país apontam para novos registros. Atualmente, a China mantém um rebanho bovino estimado em cerca de 100,4 milhões de animais.
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As doze províncias juntas são responsáveis por aproximadamente 52% da amostra nacional. Dentre elas, Mongólia Interior e Xinjiang se destacam, concentrando quase 18% do total do rebanho chinês.
Características e Transmissão do Vírus
Segundo a mídia local, os casos registrados são do tipo SAT1 (tipo 1 sul-africano). Este sorotipo apresenta uma taxa de mortalidade de até 50% em bezerros e ainda não possui uma vacina eficiente disponível.
As vacinas usadas na China focam principalmente em sorotipos tradicionais, como O e A. O vírus, pertencente à família Picornaviridae, gênero Aphtovirus, possui sete tipos imunologicamente distintos (A, O, C, SAT 1, 2, 3 e Ásia 1), com pelo menos 60 subtipos identificados.
Vulnerabilidade e Vetores de Contágio
É importante notar que a vacinação contra um subtipo específico pode não oferecer proteção contra outros. Além disso, o vírus demonstra resistência a desinfetantes comuns e às práticas usuais de armazenamento de carne.
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A transmissão ocorre primariamente pela ingestão de alimentos contaminados. Contudo, o risco se expande, pois a doença também pode ser transmitida pelo vento em um raio de até 60 km. Diversos animais são hospedeiros, incluindo bovinos, suínos, ovinos, caprinos, além de camelos, dromedários e lhamas, conforme estudo da Embrapa.
Surtos Recentes e Medidas de Controle
No final de março, foram confirmados dois surtos da doença: um no condado de Yining, em Xinjiang, e outro no condado de Gulang, em Gansu. Na ocasião, 6.229 cabeças de gado foram abatidas.
Desde então, Pequim intensificou o controle nas fronteiras para monitorar a entrada e saída de animais. Os surtos coincidem com um avanço da doença na região siberiana de Novosibirsk, na Rússia, que faz fronteira com o Cazaquistão, podendo ser o foco inicial da disseminação.
Impacto no Comércio de Carne Brasileira
Diante desse cenário sanitário, as exportações brasileiras de carne para a China apresentaram um crescimento significativo. No primeiro trimestre deste ano, o volume cresceu 42% em comparação com o mesmo período de 2025, totalizando 353 mil toneladas.
A receita gerada foi expressiva, representando mais de 40% das vendas externas brasileiras. O preço do dianteiro bovino impulsionou o setor, enquanto os cortes nobres tiveram reajustes mais contidos.
Variação de Preços e Tarifas Chinesas
Os preços registraram alta considerável entre janeiro e abril. Em janeiro, o boi era negociado a R$ 318,42 por arroba, e o dianteiro a R$ 17,85. Já em 14 de abril, esses valores subiram para R$ 369,78 (boi), R$ 28 (traseiro) e R$ 23 (dianteiro).
Essa movimentação reflete o impacto das tarifas chinesas. Em dezembro, o país asiático impôs taxas adicionais de 55% sobre importações que excedessem as cotas estabelecidas para países como Brasil, Austrália e Estados Unidos.
Posição do Brasil no Mercado Chinês
O Brasil manteve uma posição de destaque, sendo o principal fornecedor de proteína para a China, com uma fatia de 41,1%, equivalente a 1,1 milhão de toneladas. No ano passado, o volume brasileiro atingiu 1,7 milhão de toneladas, movimentando US$ 8,90 bilhões.
Este resultado representa aumentos de 25,5% no volume e 48,3% no valor em relação a 2024. O volume importado pela China ficou cerca de 600 mil toneladas acima do teto permitido atualmente.
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