STJ solta MC Ryan e outros em Operação Narco Fluxo após ilegalidade nas prisões?

STJ determina soltura de MC Ryan e investigados na Operação Narco Fluxo
O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, a soltura de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan, e de outros investigados detidos temporariamente na Operação Narco Fluxo.
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A investigação conduzida pela Polícia Federal apura um esquema complexo de lavagem de dinheiro envolvendo cerca de R$ 1,6 bilhão, proveniente de apostas clandestinas (bets). A decisão judicial considerou que as prisões haviam sido decretadas com base em premissas ilegais, ordenando o imediato restabelecimento da liberdade dos envolvidos.
Decisão Judicial e Defesa dos Investigados
Entre os nomes beneficiados pela decisão estão MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. Para o ministro, a 5ª Vara Federal Criminal de Santos teria extrapolado suas competências ao determinar uma prisão temporária de 30 dias, quando a representação da Polícia Federal previa um prazo de apenas cinco dias.
Em nota, a defesa de Ryan destacou que o STJ reconheceu a ilegalidade das prisões em uma decisão liminar em *habeas corpus*. Os advogados argumentam que a consequência jurídica direta é a revogação das prisões, devido ao erro no prazo estabelecido.
Detalhes da Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril e resultou no cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão, além de 39 prisões temporárias. As diligências foram expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos (SP) e abrangeram diversos estados, incluindo Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal.
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O Papel de MC Ryan no Esquema
O cantor MC Ryan é apontado como o principal líder do esquema de lavagem de dinheiro. Ele supostamente misturava valores recebidos de apostas com receitas de suas atividades artísticas.
Investigadores relatam que ele utilizava empresas para integrar recursos de shows e direitos autorais com valores oriundos da exploração ilegal de apostas. A Polícia Federal alega que o cantor seria o beneficiário final, com movimentações bancárias incompatíveis com seu faturamento declarado.
Estrutura de Lavagem de Dinheiro
Segundo o relatório policial, a estrutura utilizava operadores financeiros para dificultar o rastreamento dos recursos antes de incorporá-los ao patrimônio pessoal. Esse dinheiro seria usado na aquisição de bens de luxo, como imóveis, veículos e joias.
O eixo central do esquema, segundo a PF, era a exploração de apostas não regulamentadas e rifas online. A empresa OMS Tecnologia seria usada para receber grandes volumes de dinheiro de apostadores, funcionando como intermediária financeira.
Mecanismos de Ocultação Financeira
Os valores acumulados pela OMS Tecnologia seriam distribuídos por mecanismos que visavam ocultar os destinatários finais, dificultando o rastreamento dos recursos. A operação expôs um esquema que movimentava milhões de reais de intermediários ligados a apostas não regulamentadas e influenciadores investigados por estelionato digital.
A determinação de soltura reforça o entendimento judicial sobre os limites das prisões preventivas, especialmente quando há divergência nos prazos estabelecidos entre as partes envolvidas na investigação.
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