Redata em Xeque: Huawei e setor lutam por incentivo fiscal para Data Centers no Brasil

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14/04/2026 03:03

4 min

Redata em Xeque: Huawei e setor lutam por incentivo fiscal para Data Centers no Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

Redata em Xeque: O Futuro dos Data Centers no Brasil

A perda de validade da medida provisória que estabelecia o Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, em fevereiro, colocou em risco uma indústria com potencial para atrair investimentos bilionários para o Brasil. Apesar disso, o processo, segundo Atilio Ruili, vice-presidente de Relações Institucionais da Huawei, segue ativo.

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A Huawei, fabricante chinesa, fornece infraestrutura completa para data centers, abrangendo desde o aspecto computacional até o energético. A empresa está ativamente envolvida nas articulações com o setor e o poder público para garantir a implementação do Redata.

Perspectivas de Manutenção do Incentivo Fiscal

Ruili avalia que, de maneira conservadora, a medida deve permanecer válida ainda neste ano. Ele ressalta que o regime pode impulsionar investimentos estrangeiros, o que, por sua vez, gera empregos e renda, posicionando o Brasil como um polo de data centers na América Latina, caso a implementação seja bem-sucedida.

O executivo da Huawei destacou as vantagens naturais do país, como sua matriz energética e a diversidade territorial, como fatores cruciais para o sucesso do setor. Um projeto de lei foi apresentado no final de fevereiro com o objetivo de manter o Redata, criando incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no país.

Articulações Políticas e Setoriais

Na época, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia se manifestado sobre o tema. O relator do texto na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), informou que há um esforço considerável entre o setor privado e o poder público para que o projeto seja votado rapidamente.

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Segundo Jardim, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estaria engajado nesse esforço. Contudo, ele apontou que os obstáculos são mais relacionados a disputas políticas internas, aguardando um sinal de Davi Alcolumbre para avançar.

Mobilização do Setor de Tecnologia em Defesa do Redata

O setor de data centers mantém um diálogo constante, técnico e institucional com o governo, conforme relatou Luis Tossi, vice-presidente da ABDC (Associação Brasileira de Data Centers). Tossi mencionou uma paralisação na tramitação no Senado.

Diante disso, a associação segue em diálogo ativo com lideranças partidárias e gabinetes de senadores. O foco é demonstrar, de forma objetiva, os impactos econômicos, tecnológicos e estratégicos do Redata, especialmente na atração de investimentos e no fortalecimento da soberania digital brasileira.

Consolidação do Potencial Brasileiro

Entidades importantes do setor, como ABDC, Abeeólica, Abes, Brasscom e CNI, assinaram um manifesto em apoio à viabilização do programa. Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, observou um alinhamento relevante entre empresas de conectividade, fornecedores de tecnologia e o governo sobre o papel estratégico da indústria.

Ele enfatizou que o setor de infraestrutura digital no Brasil está evoluindo de maneira colaborativa. O país possui vantagens significativas, como uma matriz energética majoritariamente renovável e uma posição geográfica privilegiada para conectividade internacional, potencial que precisa ser transformado em projetos concretos.

Sustentabilidade e o Futuro Verde dos Data Centers

A questão ambiental tem ganhado destaque, com investidores pressionando empresas devido à oposição de comunidades vizinhas. No Brasil, o cenário é favorável, visto que o país ampliou rapidamente sua capacidade de geração renovável, especialmente eólica e solar.

Marcos Siqueira, CRO e head de Estratégia da Ascenty, afirmou que o Brasil detém um dos maiores excedentes de energia renovável do mundo, o que significa que o uso da energia é estratégico e não gera competição com a população por recursos.

Eficiência Hídrica e Energética

Um relatório da Brasscom, apoiado pela ABDC e pela Fadurpe, apontou que os novos data centers utilizarão predominantemente sistemas de resfriamento em circuito fechado de água, com consumo muito mais limitado. Um exemplo dado é que o consumo de água para um data center grande (30MW) é comparável ao uso de 10 dias de 112 famílias.

Os dados comparativos mostram que o consumo industrial de energia é muito superior ao dos data centers, e o uso de água pela indústria é drasticamente maior que o residencial. Fernanda Belchior, diretora de Marketing, Comunicação & Sales Ops da Elea Data Centers, concluiu que o Brasil está em uma posição favorável de sustentabilidade, complementada por um diálogo coordenado com a sociedade.

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