Queda nas exportações de carne bovina dos EUA: o impacto do mercado chinês em 2026?

Exportações de Carne Bovina dos EUA Sofrem Queda Devido ao Mercado Chinês
As exportações de carne bovina dos Estados Unidos enfrentam um declínio acentuado neste ano, impulsionadas principalmente pelo colapso das vendas destinadas à China. Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nesta quinta-feira, 16, apontam para uma retração expressiva.
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Impacto das Restrições Regulatórias no Comércio Internacional
Em janeiro e fevereiro, os embarques da proteína para o país asiático caíram impressionantes 95% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o relatório do USDA, as exportações registraram queda para 1,86 mil toneladas no período analisado.
Essa diminuição foi atribuída a entraves regulatórios que afetaram a capacidade de operação de plantas norte-americanas, gerando um impacto imediato no desempenho geral do setor externo e mexendo com a dinâmica do setor pecuário americano.
Cotas de Importação Chinesas e Distribuição Global
Em dezembro de 2025, o Ministério do Comércio da China (MOFCOM) estabeleceu que a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas de carne bovina. O Brasil, que é o principal fornecedor para a China, garantirá a maior fatia, com 41,1%, o que equivale a 1,1 milhão de toneladas.
Os EUA ficarão com uma cota de 164 mil toneladas, enquanto outros países também foram considerados. A tendência geral aponta para uma piora, já que a projeção para os EUA foi revisada para 1,07 milhão de toneladas, representando uma queda de 8% em relação ao ano anterior.
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Mercados Alternativos e Tendências de Compras
Embora os EUA enfrentem dificuldades em grandes mercados, outros destinos mostraram resiliência. O Japão, Coreia do Sul e México também registraram recuos nos embarques. Contudo, em outros pontos, o cenário é de crescimento.
Nos dois primeiros meses de 2026, o volume importado para os EUA foi 13% superior ao mesmo período do ano passado. A expectativa é que as compras externas atinjam 2,63 milhões de toneladas, um aumento de quase 6% sobre 2025.
Diversificação de Destinos de Exportação
Países como Paraguai, Argentina e Nicarágua tiveram um desempenho notável, mais que dobrando suas vendas para os Estados Unidos. Isso contribuiu significativamente para o aumento do volume total exportado.
Apesar da retração em mercados chave, houve crescimento em outros locais. As exportações para Taiwan avançaram 19%, e Hong Kong registrou um aumento expressivo de 110% no período analisado. Isso sinaliza uma tentativa de diversificação diante das perdas no mercado chinês.
Pressões no Setor Doméstico e Reestruturações Empresariais
A situação adiciona pressão ao setor de carne bovina dos EUA, em um contexto de oferta de gado mais restrita e demanda crescente, o que eleva os preços. A Tyson Foods, por exemplo, estima que o consumo doméstico de carne bovina suba de 26,8 quilos por pessoa em 2025 para 27 quilos por pessoa neste ano.
Em 2025, a produção americana recuou 4% em relação a 2024, totalizando 11,8 milhões de toneladas. Esse declínio fez com que o país perdesse o título de maior produtor mundial para o Brasil. Como consequência, a Tyson anunciou o fechamento de sua fábrica em Rome, na Geórgia, com 168 demissões previstas para 31 de maio.
Ajustes na Cadeia Produtiva Americana
A empresa também havia anunciado o fechamento do frigorífico de Lexington, em Nebraska, em 20 de janeiro de 2026, iniciando demissões de cerca de 3.200 funcionários naquela unidade. Além da Tyson, outras empresas estão passando por ajustes.
O USDA revisou a produção de carne bovina para um total de “11,70 milhões de toneladas”, 20 milhões abaixo da projeção anterior. Essa redução está ligada ao ritmo mais lento de abates nos últimos meses, mas o impacto é parcialmente compensado pelo aumento no peso das carcaças, que atingiram níveis recordes.
Conclusão: O Cenário de Adaptação do Setor Pecuário
O relatório aponta que “cerca de 91% mais gado foi mantido por mais de 180 dias”, o que ajuda a elevar o volume produzido mesmo com um menor número de abates. O setor demonstra sinais de adaptação, buscando novos mercados para mitigar os efeitos da queda nas vendas para a China.
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