Produtores Rurais Atingem 8,2% de Inadimplência no Agronegócio

Inadimplência no agronegócio sobe para 8,2% em 2026, pressionada por custos de insumos e cotações de grãos

25/06/2026 07:30

3 min

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Produtores Rurais Alcançam 8,2% de Inadimplência no 4º Trimestre de 2025

Em 1º de junho de 2026, a Serasa Experian divulgou o Indicador de Inadimplência do Agronegócio, revelando que a taxa de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas atingiu 8,2% no quarto trimestre de 2025. O dado representa um aumento de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 e um acréscimo de 0,2 ponto percentual em comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando a taxa estava em 8%. O relatório completo está disponível em PDF – 4,4 MB.

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Análise e Fatores Contribuintes

A análise engloba uma população rural estimada em 11,3 milhões de pessoas físicas. A inadimplência é atribuída à combinação de altos custos de insumos, impactados por conflitos no Oriente Médio, e à queda e volatilidade nas cotações de grãos, como a soja.

Além disso, taxas de juros elevadas e a perspectiva de uma supersafra no ciclo 2025/2026 pressionam o cenário financeiro do produtor rural. Segundo Marcelo Pimenta, diretor de agronegócio da Serasa Experian, “sinais de estabilização em alguns segmentos” refletem o avanço mais brando na passagem do 3º para o 4º trimestre, mas a perspectiva geral é de pressão financeira. “A inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, declarou Pimenta.

Perfil dos Devedores e Regiões de Risco

O levantamento demonstra que a inadimplência é maior entre os grupos com maior exposição financeira. A maioria dos devedores está na parcela sem informações de registro rural, que são possíveis arrendatários, com 9,9%. Em segundo lugar, encontram-se os Grandes Proprietários (9,8%), Médios Proprietários (8,3%) e Pequenos Proprietários (7,8%).

A região com a pior situação financeira é o chamado Norte Agro, que engloba a região Norte, exceto Rondônia e Tocantins, além do noroeste do Maranhão, com 12,9% dos produtores inadimplentes. O Matopiba, polo agrícola de Cerrado formado por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, apresenta 10%, enquanto o Centro-Oeste Agro, que soma Rondônia aos Estados do Centro-Oeste, registra 9,9%.

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A região Sul apresenta a menor taxa de atraso, com 5,7%.

Dados Adicionais e Tendências

O levantamento revelou que os adultos mais jovens, na faixa de 30 a 39 anos, registram a maior proporção das dívidas do setor, com 12,5%. Em contraste, os idosos com 80 anos ou mais são os que mais mantêm as contas em dia, com uma taxa de inadimplência de apenas 3,5%.

O volume de novas dívidas da população rural somou R$ 54 bilhões no período, fragmentados em cerca de 3,5 milhões de dívidas. A maior parte do volume financeiro retido no 4º trimestre está concentrada nas instituições financeiras (93,9%), seguidas por outros setores como varejo e concessionárias de serviços (56,3%).

O setor agro representa apenas 1,2% do total de dívidas e 2,7% do valor devido. Apesar do atraso com fornecedores do próprio setor agrícola ser de apenas 0,3% dos produtores, o ticket médio dessas dívidas é o mais alto: R$ 138,2 mil. Nas instituições financeiras, a dívida média é de R$ 115,5 mil, enquanto nos fornecedores externos ao setor o valor cai para R$ 32.600.

Em 2025, foram registrados 853 pedidos de recuperação judicial por produtores rurais pessoas físicas, um salto de quase 51% em comparação aos números de 2024.

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