Mortalidade Materna no Brasil: Desigualdades Raciais Aprofundadas Reveladas em Estudo

Mortalidade Materna no Brasil: Desigualdades Raciais Ameaçam Avanços! Estudo aponta risco elevado para mulheres negras e indígenas. Saiba mais!

07/06/2026 08:10

3 min

Mortalidade Materna no Brasil: Desigualdades Raciais Aprofundadas Reveladas em Estudo
(Imagem de reprodução da internet).

Mortalidade Materna no Brasil: Desigualdades Raciais Persistem Apesar de Avanços

A cor da pele continua a influenciar o risco de morte durante a gravidez no Brasil. Um estudo recente, publicado em janeiro no International Journal of Environmental Research and Public Health, revelou que entre 2000 e 2020, quase 60% das 40.907 mortes maternas registradas ocorreram entre mulheres pretas e pardas.

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Essa população enfrenta um risco quase o dobro em comparação com mulheres brancas, evidenciando desigualdades na assistência à saúde. A pesquisa, conduzida pela enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que essas disparidades não são apenas um problema assistencial, mas também estrutural.

Análise da Mortalidade Materna no Brasil em 2024

Apesar de avanços após o pico da pandemia de Covid-19, a mortalidade materna no país ainda apresenta altos índices e variações significativas entre regiões e grupos populacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta de reduzir esse indicador para 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

Em 2024, o Brasil registrou 57 mortes por 100 mil nascidos vivos, um número que demonstra a necessidade de ações mais eficazes.

Principais Causas e Fatores de Risco

As principais causas de mortalidade materna nas duas décadas analisadas foram condições obstétricas mal definidas, representando 29,9% dos casos. Complicações do parto e problemas no período pós-parto também contribuíram significativamente, com 21,3% e 15,2% dos óbitos, respectivamente.

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Abortos representaram 7,8% dos casos. Um ponto crítico foi o período pós-parto imediato, que concentrou 46,9% dos óbitos, indicando a importância de um acompanhamento mais aprofundado após o parto.

Desigualdades Raciais e Socioeconômicas

O estudo apontou um risco significativamente maior entre mulheres negras e indígenas. Mulheres indígenas apresentam uma mortalidade materna mais de duas vezes superior à observada entre mulheres brancas. Essa disparidade está diretamente relacionada ao racismo estrutural, que se manifesta no acesso desigual aos serviços de saúde e na qualidade do atendimento recebido.

A baixa escolaridade também se associa a um maior risco de morte materna, devido à dificuldade de acesso a informações e cuidados adequados.

Desafios no Acompanhamento Pré-Natal

A pesquisa ressaltou falhas no acesso ao pré-natal, identificação precoce de riscos e encaminhamento para serviços de maior complexidade. O acompanhamento pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS) é limitado a cerca de oito consultas, enquanto o ideal seria entre 15 e 16 consultas.

Além disso, muitas gestantes não realizam todos os exames recomendados ou iniciam o acompanhamento tardiamente, agravados por problemas de infraestrutura e falta de profissionais.

Próximos Passos e Recomendações

Os pesquisadores planejam aprofundar a análise dos dados para auxiliar na formulação de políticas públicas mais eficazes. A avaliação da qualidade do acompanhamento pré-natal e a identificação de fatores de risco específicos são passos cruciais para reduzir a mortalidade materna no Brasil e garantir a saúde e o bem-estar das mulheres durante a gravidez e o pós-parto.

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