Eduardo Furuie aponta queda nos spreads de debêntures

Eduardo Furuie observa redução nos spreads de debêntures, refletindo mudanças no mercado de crédito privado.

26/06/2026 23:58

3 min

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O mercado de crédito privado brasileiro apresenta uma situação complexa, marcada por contradições, segundo gestores. A inadimplência das empresas cresceu, mas as recuperações judiciais atingiram recordes, enquanto os custos financeiros permanecem elevados, impactando os prêmios recebidos pelos investidores.

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Distorção no Mercado de Crédito

A distorção foi alimentada por uma forte entrada de recursos na renda fixa, mas essa situação começa a ser questionada em um cenário de juros elevados. Eduardo Furuie, cofundador e CIO da Nexa Finance, destaca que o spread médio das debêntures caiu de 269 pontos – base sobre o CDI em junho de 2023 para 163 pontos – base em janeiro de 2026.

Apesar do aumento da inadimplência, que cresceu 45% no período, e das recuperações judiciais que atingiram recordes, o investidor ainda recebia prêmios menores para financiar companhias. Rodrigo Mendonça, diretor gestor de renda fixa abertos da Valora Investimentos, aponta que parte da compressão dos spreads foi influenciada por um movimento técnico na indústria de crédito e renda fixa, impulsionado pela alta da Selic.

Impacto da MP e Mudanças no Cenário

A Medida Provisória (MP) criada no ano passado pelo governo federal, que buscava acabar com a tributação em instrumentos de crédito privado, também contribuiu para acelerar a demanda por esses títulos, mesmo que a proposta tenha perdido validade.

Essa corrida para garantir títulos isentos de impostos provocou uma situação em que investidores aceitaram remunerações cada vez menores para correr riscos semelhantes.

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No entanto, em 2026, o cenário começou a mudar. Dados da Anbima mostram que a negociação secundária no mercado de crédito diminuiu de R296 bilhões no quarto trimestre de 2025 para R 236,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, e as emissões recuaram de R175 bilhões para R 99 bilhões.

Abertura dos Spreads e Ajustes Técnicos

Rodrigo Mendonça, diretor gestor de renda fixa abertos da Valora Investimentos, considera que a abertura dos spreads não representa uma crise, mas sim um ajuste técnico. Ele cita eventos de crédito relevantes que desencadearam resgates em fundos e a necessidade de venda de papéis, atuando como gatilhos.

A abertura generalizada dos spreads atingiu emissores de diferentes qualidades, reforçando a leitura de um ajuste técnico e não de uma deterioração sistêmica. Gestores apontam a necessidade de voltar a olhar para a qualidade do risco, em vez de apenas para o CDI+.

Mudanças nas Expectativas e Estratégias

A expectativa de queda da Selic também pesa no cenário. O Boletim Focus, divulgado em 22 de janeiro, previa uma Selic mais alta por mais tempo, e a ata mais recente do Copom reforçou essa perspectiva. Adriano Casarotto, gestor de crédito da Franklin Templeton Brasil, destaca que juros elevados por mais tempo dificultam o processo de desalavancagem das empresas.

Eduardo Furuie, CIO da Nexa Finance, projeta que o próximo ciclo do crédito privado será diferente dos anteriores, devido à mudança nas expectativas para a queda de juros. Ele ressalta que o mercado precificava um alívio vindo da queda de juros, mas agora a curva aponta para juros altos por mais tempo, exigindo uma análise mais criteriosa das estruturas e dos emissores.

A busca genérica por retornos acima do CDI tende a perder espaço para uma análise mais seletiva do crédito privado, que não perdeu relevância, mas entrou em uma fase que exige mais seletividade.

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