Cientistas monitoram vírus influenza para vacinas trivalentes

A cada ano, cientistas de todo o mundo se perguntam: quais cepas do vírusinfluenza predominarão nas próximas temporadas, nos hemisférios Norte e Sul? A resposta reside em uma vasta rede de vigilância global, que monitora a evolução do vírus e orienta a composição das vacinas produzidas, como a trivalente fabricada pelo Instituto Butantan e disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Vigilância Global e Composição das Vacinas
A Organização Mundial da Saúde coordena um esforço que envolve centenas de laboratórios distribuídos em mais de 130 países. Esse trabalho de vigilância transforma dados coletados em diferentes partes do mundo na produção de milhões de doses capazes de proteger a população contra o Influenza, um vírus em constante transformação.
Segundo a OMS, cerca de 1 bilhão de casos de gripe sazonal são registrados anualmente, com 3 a 5 milhões evoluindo para quadros graves.
O vírus influenza possui uma série de peculiaridades, começando pela sua variedade. Atualmente, existem três tipos de agente infeccioso – Influenza A, B e C – sendo apenas os dois primeiros capazes de provocar epidemias sazonais. A chamada gripe “A” é classificada em subtipos de acordo com a combinação de duas proteínas: a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA.
Até o momento, foram descritos 18 subtipos de hemaglutinina e 11 de neuraminidase, com combinações como influenza A (H1N 1) e A (H3N 2) sendo amplamente circulantes.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O vírus influenza “B” é subdividido de acordo com suas duas linhagens: Victoria e Yamagata. Desde 2020, não há registros de circulação da linhagem Yamagata. A hipótese dos cientistas é que o subtipo foi extinto devido às restrições sanitárias impostas pela pandemia de Covid-19.
Mutação e a Necessidade de Revisões Constantes
Uma característica fundamental do vírus influenza é sua rápida capacidade de sofrer mutações – uma estratégia biológica que assegura a “sobrevivência” do microrganismo. Geralmente, essas transformações se acumulam na região do epítopo, a “cabeça” da hemaglutinina, responsável por reconhecer e se fixar nas células do trato respiratório.
Com o tempo, essas mutações podem levar o vírus a “escapar” da resposta imunológica do organismo, originando novas variantes.
Isabela Carvalho Brcko, especialista em vírus respiratórios e pós – doutoranda do CeVIVAS do Instituto Butantan, explica que a vigilância do vírus influenza começa no próprio posto de saúde. As unidades de saúde coletam amostras de pacientes com Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, que são encaminhadas aos Lacens para identificação e caracterização dos vírus circulantes.
A Rede Global de Vigilância
O Brasil contribui com um grupo nacional de vigilância, composto por 27 Lacens (Laboratórios Estaduais Centrais de Saúde Pública), além de três laboratórios de referência: Fiocruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. Esses laboratórios compartilham informações e materiais com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) nos Estados Unidos, que realiza avaliações avançadas dos dados.
A OMS utiliza essas informações para construir uma visão global dos vírus que estão circulando, considerando a frequência e o potencial de “escape” das vacinas. Esse critério é anunciado seis meses antes do início da campanha de imunização, para que os produtores tenham tempo de fabricar a vacina atualizada.
Vacinação e o Trabalho do Instituto Butantan
A vacinação anual contra a gripe continua sendo a principal estratégia para reduzir casos graves, hospitalizações e mortes associadas ao vírus influenza. A vacina trivalente do Instituto Butantan já está disponível em diversas regiões do Brasil, e a instituição produz mais de 80 milhões de doses anualmente.
O CeVivas, laboratório do Instituto Butantan, atua na vigilância genômica dos vírus influenza no Brasil, complementando a rede da OMS e fornecendo dados sobre a evolução do vírus no país.
A pesquisa do CeVivas também mapeia as rotas de disseminação do vírus influenza no Brasil, identificando a região Sudeste como um ponto central. O instituto também monitora a evolução do vírus influenza e do Sars – CoV-2, contribuindo para a proteção da população.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


