Estudo da USP aponta que miscigenação no Brasil pode estar ligada à maior longevidade e qualidade de vida de brasileiros, incluindo centenários.
Um estudo publicado recentemente no jornal científico Genomic Psychiatry, conduzido por pesquisadores brasileiros, aponta que a miscigenação no Brasil pode estar associada a uma maior longevidade e qualidade de vida. A pesquisa faz parte do trabalho do Genoma USP (Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo).
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O estudo analisou o caso de três idosos com mais de 110 anos que se recuperaram após a infecção pelo vírus da Covid-19. A pesquisa expandiu-se com a inclusão de mais de 160 centenários brasileiros, incluindo dois supercentenários (indivíduos com mais de 110 anos).
Os participantes passaram por exames de sangue e análises genéticas.
Entre os pacientes, estava a Dona Benedita, reconhecida como a mulher mais longeva do mundo até sua morte em 30 de abril de 2025, aos 116 anos. A análise revelou mais de 8 bilhões de variantes de genes na população brasileira, um número superior ao encontrado em bancos de dados globais.
Essa diversidade genética sugere a existência de “genes protetores” que não são comuns em populações da Europa e América do Norte.
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Casos familiares também contribuíram para a pesquisa. Um estudo identificou uma família brasileira com uma mulher de 110 anos e suas três sobrinhas de 106, 14 e 110 anos, demonstrando que irmãos de centenários têm de 5 a 17 vezes mais probabilidade de passarem dos 100 anos.
Essa pesquisa oferece uma janela para a herança poligênica da resiliência.
A longevidade no Brasil é notável. Um levantamento da CNN Brasil, baseado em dados da plataforma LongeviQuest, identificou que três dos 10 homens mais velhos do mundo são brasileiros, incluindo o homem vivo mais longevo do mundo, nascido em outubro de 1912.
Mulheres brasileiras também figuram no ranking de longevidade, ocupando o quinto e sétimo lugares. A análise dos centenários que sobreviveram à Covid-19 em 2020 revelou níveis robustos de anticorpos e proteínas relacionadas à resposta imune inata, indicando particularidades no sistema imunológico dos participantes.
As descobertas do estudo sugerem que a diversidade genética brasileira, resultado da mistura entre diferentes grupos étnicos, pode ser um fator importante para a longevidade. Para aprofundar o conhecimento sobre o tema, especialistas defendem a expansão do recrutamento de populações ancestralmente diversas e miscigenadas, como a do Brasil, ou o fornecimento de apoio financeiro para estudos genômicos, imunológicos e longitudinais.
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