Brasil e União Europeia: Novas regras ameaçam comércio de proteínas animais

Brasil e União Europeia enfrentam novos desafios regulatórios no setor de proteínas animais. Novas exigências europeias pressionam rastreabilidade e controle

10/06/2026 21:30

4 min

Brasil e União Europeia: Novas regras ameaçam comércio de proteínas animais
(Imagem de reprodução da internet).

Novas Exigências Regulatórias Impactam Relação Brasil-União Europeia

A relação comercial entre o Brasil e a União Europeia está passando por uma nova fase, marcada por um aumento nas exigências regulatórias, especialmente no setor de proteínas animais. As novas regras europeias impõem uma pressão maior sobre a rastreabilidade, o controle sanitário e a necessidade de comprovação documental em toda a cadeia produtiva.

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Esse cenário se desenha em um momento de ajustes estruturais no mercado global de carnes.

Análise dos Especialistas

Segundo Fernando Henrique Iglesias, da Safras e Mercado, o Brasil não enfrenta um impacto imediato nas exportações, mas precisa acelerar a adoção de práticas mais rigorosas. Ele enfatiza a importância de comprovar, com documentação detalhada, que todas as etapas de produção estão livres de substâncias restritas pelo bloco europeu, principalmente no que se refere a resíduos de medicamentos veterinários.

Adaptação Setorial e Desafios

O analista ressalta que essas regras não são novidades, tendo sido comunicadas pela União Europeia há anos, mas agora estão sendo aplicadas com maior rigor. A adaptação tende a ser mais simples no caso de aves e suínos, enquanto na bovinocultura o processo é mais complexo, exigindo maior controle e, possivelmente, uma reorganização da produção.

Uma alternativa discutida é a segregação de rebanhos por região, o que poderia manter o acesso ao mercado europeu.

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O Contexto Europeu e a Concorrência

Apesar disso, Iglesias avalia que a União Europeia atua como um “mercado vitrine”, cujas exigências podem ser replicadas por outros grandes importadores, como a China, ampliando o efeito indireto das mudanças regulatórias. Rodrigo Costa, consultor de mercado, destaca que o cenário europeu precisa ser analisado sob uma perspectiva estrutural, considerando que o bloco adota frequentemente medidas com caráter protecionista, em parte devido à dificuldade de competir em igualdade com produtos sul-americanos.

Desafios Internos da Europa

Costa observa que a Europa enfrenta um problema interno, com uma redução do rebanho bovino desde 2018, custos elevados de produção e dificuldades de sucessão familiar no campo, o que diminui o interesse das novas gerações pela atividade agropecuária.

Isso aumenta a dependência europeia por importações de proteína animal.

Posição Competitiva do Brasil

Em maio de 2026, as exportações do Brasil cresceram 5,82% em relação a abril, impulsionadas por uma oferta global restrita e preços elevados, o que favorece a competitividade brasileira. O Brasil exportou cerca de 22 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, enquanto os Estados Unidos receberam quase 148 mil toneladas, evidenciando maior relevância do mercado norte-americano para o setor.

O analista Costa destaca que, ao dolarizar o preço da arroba do boi, países concorrentes apresentam custos mais elevados, a Argentina é cerca de US$ 19,39/@ mais cara que o Brasil, o Uruguai US$ 15,92/@, a Austrália cerca de US$ 29,88/@ e os Estados Unidos aproximadamente US$ 57,49/@ acima do nível brasileiro.

Perspectivas e Tendências

Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, reforça que o debate com a União Europeia vem sendo acompanhado desde meados de maio e está ligado a uma postura protecionista do bloco, que busca proteger sua produção agrícola por meio de exigências sanitárias e ambientais.

Ele lembra que essas práticas são recorrentes na política comercial europeia. Isoldi contextualiza que o maior volume já exportado pelo Brasil para o bloco ocorreu em 2006, quando foram embarcadas cerca de 247 mil toneladas de carne bovina, em um período anterior à consolidação da China como principal compradora global.

Após esse pico, os volumes caíram e ficaram em patamares mais baixos por muitos anos.

Consumo e Dependência

Após uma recuperação recente, com cerca de 107 mil toneladas exportadas em 2025, o analista ressalta que o movimento estaria parcialmente relacionado à antecipação de expectativas sobre acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia. No entanto, ele enfatiza que a Europa é apenas o terceiro maior comprador da carne brasileira, atrás da China, que responde por cerca de 60% das compras.

Dados da OCDE indicam que o consumo per capita de carne bovina na União Europeia está em estagnação ou queda, sendo inferior ao consumo de carnes suína e de frango, o que reforça a pressão estrutural sobre o setor produtivo europeu e a dependência crescente de importações.

Prazo e Perspectivas Futuras

As autoridades brasileiras têm prazo até 03 de setembro deste ano para reenviar a e comprovar a conformidade sanitária da carne exportada. Até lá, os analistas apontam que o cenário permanece inalterado, com o comércio ativo e o Brasil mantendo forte posição competitiva.

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