Agronegócio muda o foco: o que Anderson Schemberg revela sobre gestão e riscos?

Agronegócio muda o foco: gestão financeira e risco dominam! Saiba como a volatilidade e o crédito restrito forçam ajustes nas grandes empresas do setor.

21/04/2026 11:43

3 min

Agronegócio muda o foco: o que Anderson Schemberg revela sobre gestão e riscos?
(Imagem de reprodução da internet).

O Agronegócio Brasileiro Ajusta Rota: Foco em Gestão Financeira e Risco

O setor do agronegócio brasileiro está passando por uma fase de ajustes significativos que impactam diretamente a estrutura interna das empresas. Após anos marcados pela grande expansão produtiva e pelo aumento do endividamento, o foco do setor mudou drasticamente para a gestão financeira.

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Essa mudança de foco é uma resposta direta ao cenário econômico mais desafiador, caracterizado pela volatilidade dos preços das commodities, custos operacionais elevados e crédito mais restrito. Um indicador claro desse novo momento é o crescente interesse por profissionais das áreas financeira, de crédito e de gestão de riscos.

A Demanda por Talentos Especializados Aumenta Progressivamente

Um levantamento realizado pela FESA Group, um ecossistema de gestão de pessoas, aponta que a procura por esses profissionais no agronegócio dobrou em 2024 e manteve essa trajetória de crescimento em 2025. Houve um aumento expressivo de 36% nas vagas ligadas a crédito e de 53% para posições financeiras, como as de CFOs, controllers e gerentes.

Grande parte dessas oportunidades de emprego está concentrada na região Centro-Oeste, área que abriga uma parcela significativa da atividade agropecuária nacional. Esse movimento reflete a necessidade de maior controle em um ambiente de negócios mais cauteloso.

Mudança de Paradigma Pós-Ciclo de Alta

O agronegócio experimentou um período de forte crescimento entre 2018 e 2022, impulsionado pela alta dos preços de commodities, como a soja, e pela valorização do dólar. Esse cenário impulsionou as empresas e permitiu avanços na governança corporativa.

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Contudo, a partir de 2023, o cenário macroeconômico sofreu uma inversão. O aumento das taxas de juros penalizou companhias com alta alavancagem, enquanto os preços das commodities e o dólar apresentaram retração. Anderson Schemberg, vice-presidente e sócio da FESA Group, explica que muitas empresas, de origem familiar, precisaram abandonar uma gestão mais artesanal para focar no caixa.

A Importância da Gestão de Riscos e Estruturas Complexas

Outro aspecto que se tornou crucial neste novo ciclo é a expertise em gestão de riscos, juntamente com políticas de controle financeiro mais apuradas. Isso justifica a alta demanda por executivos aptos a lidar com estruturas financeiras mais complexas, apoiando decisões estratégicas, especialmente em renegociações de dívidas e captações.

Essa tendência, segundo Schemberg, não é passageira, mas sim um movimento estrutural para os próximos anos. Empresas maiores, com faturamento acima de R$ 800 milhões anuais, já estão contratando diretores e heads financeiros. Já as de porte menor, com receita entre R$ 200 milhões e R$ 700 milhões, buscam gerentes financeiros e controllers.

Desafios no Mercado de Talentos do Agro

A busca por profissionais qualificados enfrenta barreiras notáveis. Um desafio é o geográfico, visto que as empresas estão concentradas no Centro-Oeste, onde a oferta de mão de obra especializada é insuficiente. Além disso, há a exigência de conhecimento setorial específico, o que restringe o grupo de candidatos elegíveis.

Outro ponto relevante é que muitas corporações de maior porte contam com sócios estrangeiros, demandando fluência em outros idiomas. Schemberg aponta que a cadeia do agronegócio possui particularidades que exigem conhecimento profundo, e a formação de profissionais não acompanhou esse crescimento da demanda.

Perspectivas Futuras e Adaptações Setoriais

Este ajuste ocorre em um momento de compressão de margens, pois os custos de produção permanecem altos devido a insumos e logística, enquanto os preços internacionais perderam o vigor dos ciclos recentes. Um evento futuro que deve impactar as estruturas empresariais é a adaptação à reforma tributária, prevista para ocorrer entre 2027 e 2028.

Para Schemberg, essa perspectiva futura tende a aumentar a necessidade de profissionais como advogados, contadores e consultores. Quem se antecipar a essas mudanças regulatórias estará em melhor posição para navegar pelas transformações do setor.

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