Varejo em Crise: IA Falha e Empresas Precisam se Reinventar Radicalmente

Reorganização e Inteligência Artificial no Varejo: Um Cenário em Transformação
No primeiro trimestre de 2026, durante diversos eventos de varejo internacionais, uma tendência se destacou: a urgência das empresas em lidar com a inteligência artificial (IA) estava equivocada. Muitas organizações ainda viam a IA como um projeto de tecnologia, sem compreender a verdadeira dimensão da mudança necessária.
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O foco não era simplesmente adotar a ferramenta, mas sim reestruturar a empresa para aproveitar ao máximo o seu potencial.
O principal ponto de divergência era a forma como as empresas estavam abordando o investimento em IA. Enquanto alguns executivos de diferentes mercados reconheciam a necessidade de uma reorganização completa, outros se concentravam apenas na implementação da tecnologia, sem considerar o impacto em seus processos e estruturas organizacionais.
A resposta mais comum que obtivemos era que o problema não residia na ferramenta em si, mas sim na organização que a recebia.
A Pesquisa da BCG Revela a Realidade
Uma pesquisa realizada pela BCG em 2025, com a participação de 1.250 executivos, revelou um cenário preocupante. Apenas 5% das empresas se classificaram como “future-built”, ou seja, organizações que construíam capacidades de IA de forma sistemática e geravam valor consistente a partir disso.
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O restante, 60% das empresas, estava no grupo de “atraso”, com um retorno mínimo sobre os investimentos já realizados. Esse dado não se baseava em quem tinha ou não IA, mas sim na capacidade de utilizar a tecnologia de forma estratégica.
A Importância da Organização e da Liderança
A McKinsey também identificou que 88% das organizações já utilizavam IA em pelo menos uma função, mas a maioria continuava em fase de piloto. A tecnologia era implementada sem que os processos fossem redesenhados, resultando em uma paralisia disfarçada de modernização.
A distinção entre os grupos não era o orçamento, mas sim a liderança e a capacidade de adaptação.
Reinventar o Modelo de Negócios
Conversas nos eventos apontaram para varejistas que já haviam reorganizado seus fluxos de trabalho, redesenhado a tomada de decisões e escalado a execução com o apoio da IA. Em contrapartida, empresas que simplesmente instalaram as mesmas ferramentas, contrataram as mesmas consultorias e operavam pela mesma lógica de antes.
O orçamento não era o fator determinante. A liderança, com sua capacidade de promover a reinvenção, era o elemento crucial.
O Desafio da Reinvenção
A PwC documentou isso no 28th Annual Global CEO Survey: empresas que avançavam mais lentamente na reinvenção estavam, em grande medida, travadas por mentalidades de gestão que não mudavam. O ritmo médio de novos negócios gerados nos últimos cinco anos ficou em 7%, revelando que reinventar o modelo de negócios enquanto se opera o dia a dia é um desafio que a maioria das organizações ainda não havia resolvido.
No varejo, isso se manifestava na utilização de dados para justificar reuniões, em vez de orientar decisões, e na falta de cadência na gestão dos esforços.
A IA e a Autonomia
Com a chegada dos agentes de IA, esse padrão se aprofundava. Quem já sabia executar, executava mais rápido, e quem ainda não havia resolvido o básico, descobria que a IA não fazia o trabalho por ela. Escalar com inteligência significava não complicar, mas sim definir critérios para expandir, alocar recursos e acompanhar o que estava sendo construído.
Era saber em quais pontos da operação dar autonomia a um sistema, e em quais o julgamento humano continuava sendo insubstituível.
Decisões Estratégicas e Operacionais
A empresa que construía essa clareza passava a tomar decisões sobre expansão, sortimento, experiência do cliente e desempenho de unidades com outra qualidade. Desenvolvia musculatura para conectar dados, estratégia e liderança, não como iniciativas separadas, mas como uma lógica única de operação.
Essa distinção não era filosófica, mas sim operacional, e refletia a necessidade de delegar ao sistema o que deveria ser decidido pela liderança, avaliando os riscos com seriedade.
Aumento da Distância entre os Grupos
O que mais chamava a atenção era a velocidade com que a distância entre as empresas que já entendiam o que estava em jogo e as que ainda estavam preparando a apresentação para o conselho estava aumentando. Crescer com rigor e liderança alinhados tornou-se pré-requisito.
O mercado não esperava enquanto cada empresa resolvia internamente o que deveria ter sido resolvido antes de instalar o próximo agente.
A Pergunta Fundamental
A pergunta que cada varejista precisava responder, com honestidade, não era se ia adotar a tecnologia, mas sim se a organização que tinha hoje estava preparada para usar bem o que ela ia entregar.
Autor(a):
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