Uber e Wise ditam o ritmo: o que muda no mercado de escritórios de São Paulo em 2026?

Uber e Wise ditam o ritmo dos escritórios de alto padrão em São Paulo em 2026. Saiba como a demanda por qualidade está redefinindo o mercado!

15/04/2026 09:40

3 min

Uber e Wise ditam o ritmo: o que muda no mercado de escritórios de São Paulo em 2026?
(Imagem de reprodução da internet).

O Mercado de Escritórios de Alto Padrão em São Paulo em 2026

O cenário dos escritórios de alto padrão em São Paulo iniciou 2026 com um indicativo claro: a demanda está migrando significativamente para ativos que oferecem maior qualidade. Este movimento, segundo análises, ainda não possui a mesma intensidade observada no restante da América do Sul.

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No primeiro trimestre, essa tendência foi notavelmente impulsionada por setores de tecnologia e finanças. Empresas como Uber e Wise foram destaques, conforme apontado pelo relatório MarketBeat da Cushman & Wakefield, divulgado pela EXAME.

Destaques de Ocupação e Absorção do Período

A Uber alugou 15.982 metros quadrados no edifício JK Square, na área da JK, e a Wise ocupou 14.184 metros quadrados no River South, na Marginal Pinheiros. Juntas, essas duas grandes operações superaram a média do mercado e concentraram grande parte da absorção do período.

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Análise dos Dados de Mercado

“São dois grandes destaques. O restante das locações ficou abaixo de 6 mil metros quadrados”, comentou Matheus Cardoso, presidente da Cushman para a América do Sul, explicando o desempenho do trimestre.

A absorção líquida, que mede o saldo entre áreas ocupadas e devolvidas, registrou um positivo de 62.555 metros quadrados. O volume total de locações atingiu 88.452 metros quadrados, enquanto a taxa de vacância diminuiu para 11,38%, aproximando-se do equilíbrio esperado.

A Seletividade do Mercado Imobiliário

A queda na vacância não é homogênea em São Paulo, revelando uma mudança estrutural no setor. Cardoso aponta que os mercados premiums são os que estão puxando a média para baixo, enquanto ativos considerados obsoletos continuarão enfrentando dificuldades, pois o mercado está cada vez mais seletivo.

Concentração em Localizações Premium

O protagonismo de Uber e Wise reforça essa leitura, visto que ambas optaram por edifícios novos, eficientes e com excelente localização. Este padrão de escolha tem direcionado a demanda desde o período pós-pandemia.

A JK liderou a absorção líquida com 19.276 metros quadrados, impulsionada pela entrada da Uber. Já a ocupação relevante da Wise ajudou a reduzir a vacância na Marginal Pinheiros para 27,22%.

Dinâmicas Regionais e Perspectivas Futuras

Por trás dessa movimentação, existe um eixo consolidado no mercado paulistano. “A Faria Lima é e ainda vai continuar por muito tempo. Tudo que acontece é reflexo dela”, afirmou Cardoso.

Lógica de Transbordo e Custos

Segundo o executivo, o movimento de expansão segue uma lógica de transbordo. “A Rebouças é um transbordo da Faria Lima, inevitavelmente. Você vê empresas que precisam de grandes áreas indo para a Chucri Zaidan e tentando encontrar equilíbrio no preço… sem perder a qualidade.”

Enquanto a Faria Lima mantém valores elevados, como R$ 290,19/m² e baixa disponibilidade, eixos como Chucri Zaidan e Marginal Pinheiros atraem empresas buscando maior escala e um custo mais competitivo.

O Contexto Macroeconômico e Regional

Apesar de um ajuste pontual no preço médio, que fechou o trimestre em R$ 138,35/m², os ativos mais disputados continuam valorizados. Pinheiros e Paulista também apresentaram alta, beneficiados por novos empreendimentos e reposicionamento de imóveis.

Para os próximos meses, o cenário deve se tornar mais competitivo, com 352.912 metros quadrados em construção e entregas previstas em áreas como Chucri Zaidan, Pinheiros e Itaim.

Cardoso destaca que o Brasil é o principal eixo do mercado imobiliário na América do Sul. Ele observa que tendências como a migração para ativos de qualidade ainda estão em estágios iniciais em outros países vizinhos, especialmente em economias mais instáveis.

O pano de fundo econômico, com o PIB brasileiro crescendo 2,3% em 2025 e a Selic em 14,75% em março de 2026, moldou um mercado mais disciplinado. Em 2026, ocupar um escritório em São Paulo deixou de ser apenas uma questão de espaço e passou a ser, fundamentalmente, uma decisão de qualidade.

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