Brasil busca alternativas no trigo: Importações sobem e Argentina enfrenta desafios em 2026

Importações de Trigo no Brasil: Cenário Complexo em 2026
A situação do mercado de trigo no Brasil em 2026 apresenta um quadro complexo, marcado por um aumento previsto nas importações e incertezas sobre a safra nacional. Segundo especialistas do setor, a demanda por trigo deverá crescer, impulsionada pela redução da área plantada e pelo aumento dos custos, influenciado pela guerra no Irã.
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Essa combinação de fatores gera preocupação com a qualidade do trigo argentino, principal fornecedor do país, e abre espaço para buscar alternativas em outros mercados, como Rússia e Estados Unidos.
Desafios na Oferta Argentina e Impacto nos Moinhos
Os moinhos brasileiros preveem um aumento nas importações, projetando até 7 milhões de toneladas de trigo de fontes externas em 2026, um volume superior às 6,87 milhões de toneladas importadas em 2025. Essa necessidade se deve à qualidade questionável de parte da produção argentina, resultado de uma safra recorde que, em grande parte, é destinada à produção de ração animal. Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), estima que o volume de importações pode chegar a 1 a 1,5 milhão de toneladas, buscando alternativas para suprir essa demanda.
Alternativas Internacionais e Cota de Importação
Para mitigar os riscos, os moinhos brasileiros contam com uma cota de 750 mil toneladas/ano isenta de tarifa para compras de trigo fora do Mercosul. Essa medida, juntamente com a busca por fornecedores como Rússia e Estados Unidos, que tradicionalmente não têm grande volume de exportação para o Brasil, pode ajudar a reduzir os custos.
A expectativa é que, em momentos de queda da oferta argentina, esses países aumentem suas exportações para o Brasil.
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Resposta da Argentina e Perspectivas de Exportação
A Argentina, que exportou 5,24 milhões de toneladas de trigo para o Brasil em 2025, ou 36,6% do total exportado pelo país vizinho, pode atender aos moinhos brasileiros, apesar de parte da colheita ter qualidade apenas para ração. Gustavo Idígoras, presidente da Ciara-Cec, destaca que a oferta exportável pode chegar a mais de 18 milhões de toneladas, com parte destinada ao Sudeste Asiático e China e o restante atendendo aos padrões de qualidade para a produção de pão no Brasil. Gonzalo Augusto, presidente da ArgenTrigo, reforça que a Argentina tem trigo que atende aos padrões de qualidade e não necessita de importações.
Incertezas Climáticas e Produtividade Brasileira
O especialista Élcio Bento da Safras & Mercado, avalia que apenas 7 a 8 milhões de toneladas da safra argentina podem ser utilizadas para farinha de panificação, devido ao teor de proteína baixo de grande parte do cereal. Ele aponta que o clima favorável para os argentinos, aliado a investimentos menores na produção, resultou em grãos com pouca proteína, o que impacta nos preços pagos pelos moinhos. Com a safra brasileira em início de plantio, com custos mais altos de fertilizantes e combustíveis, e a formação do fenômeno El Niño, que pode trazer mais chuvas para o Sul do Brasil, produtores e analistas preveem uma redução na produção nacional, com potencial de pouco mais de 6 milhões de toneladas, quase 2 milhões a menos do que na safra anterior.
A redução na área plantada no Paraná, um dos principais estados produtores do Brasil, também contribui para essa incerteza.
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