Tarifas EUA: Amcham alerta que 60% das exportações brasileiras ainda pagam sobretaxas em 2026

Cenário das Tarifas Brasileiras nos EUA: Desafios e Perspectivas em 2026
Apesar da redução de tarifas impostas ao Brasil, seja por decisão de Donald Trump ou por determinação da Suprema Corte, a Amcham (Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos) aponta que cerca de 60% das exportações brasileiras para os EUA ainda enfrentam sobretaxas.
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As negociações para diminuir essas cobranças encontram um obstáculo significativo: o calendário eleitoral, tanto no Brasil quanto nos EUA.
O Impacto do Calendário Político nas Negociações Comerciais
Abrão Neto, CEO da Amcham, ressalta que o primeiro semestre é o período mais propício para avanços em entendimentos comerciais. Após esse período, as condições se tornam mais desafiadoras.
Dificuldades no Segundo Semestre
Ele explica que a atenção dos governos tende a se voltar mais para questões internas. Além disso, a proximidade das eleições torna qualquer tema comercial extremamente sensível politicamente, o que complica a formação de acordos. Dessa forma, a janela de oportunidade para negociações está diminuindo.
Evolução das Medidas Tarifárias Americanas
O cenário tarifário passou por mudanças após o anúncio inicial de tarifas recíprocas, fundamentadas na legislação de emergência econômica (IEEPA), que foi contestada pela Suprema Corte americana.
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Mudanças no Arcabouço Legal
Após a decisão judicial, o governo americano manteve o foco comercial, mas buscou outros instrumentos. Foi aplicada uma medida geral de 10% para o mundo, baseada na Seção 122, que possui um fundamento jurídico distinto e um nível tarifário menor.
Isso beneficiou as exportações brasileiras ao reduzir consideravelmente os custos de venda.
Novas Investigações em Curso
Atualmente, há uma nova onda de investigações em andamento, utilizando outra fundamentação jurídica. Foram abertas recentemente duas investigações contra diversos países: uma sobre excesso de capacidade de produção e outra sobre trabalho forçado, envolvendo cerca de 60 nações, incluindo o Brasil.
Há também uma investigação mais antiga sobre práticas econômicas e comerciais brasileiras.
O Caminho para a Estabilidade Comercial
A forma final das tarifas ainda não está definida, pois essas investigações precisam ser concluídas. Este momento exige acompanhamento constante e serve como oportunidade para o Brasil dialogar com o governo americano, buscando um entendimento que garanta a melhor situação comercial possível.
Potenciais Áreas de Negociação
O diálogo diplomático é o caminho essencial. Os interesses americanos incluem acesso a mercado no Brasil, economia digital e cooperação em minerais críticos. O governo brasileiro e o CBP americano já sinalizaram uma iniciativa conjunta na área de segurança pública e combate ao crime organizado transnacional, o que pode ajudar no desfecho tarifário.
Desafios Estruturais para o Comércio Brasileiro
Atualmente, cerca de 45% das exportações brasileiras não possuem sobretaxa, 15% estão sujeitas a tarifas de segurança nacional (como aço e alumínio), e o restante enfrenta a sobretaxa de 10% da Seção 122. As empresas sentiram um alívio com a redução tarifária, mas o cenário ainda é incerto.
Um ponto crítico é que mais de 80% das exportações brasileiras para os EUA são produtos industriais da transformação, um setor que o Brasil não exporta tanto para outros mercados. Isso torna extremamente difícil substituir o mercado americano, que permanece sendo o maior e mais singular na pauta exportadora nacional, apesar dos esforços de diversificação de vários setores.
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