Cuba: Igrejas viram refúgio vital contra a crise e a escassez de remédios

Cuba em crise: igrejas viram refúgio vital. Saiba como a população depende de doações em meio à escassez de remédios e alimentos.

17/04/2026 16:25

4 min

Cuba: Igrejas viram refúgio vital contra a crise e a escassez de remédios
(Imagem de reprodução da internet).

Crise em Cuba: Igrejas se Tornam Ponto de Apoio em Meio à Escassez

Cuba enfrenta há seis anos uma severa crise econômica. Este cenário é resultado direto do aperto das sanções americanas e da ineficiência de sua economia centralizada. Os 9,6 milhões de moradores sentem os efeitos com apagões frequentes, falta de itens básicos como alimentos e remédios, e uma inflação elevada.

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A situação se deteriorou ainda mais desde o início deste ano. Diante desse quadro, as igrejas, historicamente marginalizadas pelo governo comunista, assumiram um papel crucial, oferecendo suporte essencial a grande parte da população.

Assistência Médica e Alimentar em Paróquias

Em frente à igreja Santa Cruz de Jerusalém, por exemplo, a distribuição de medicamentos ocorre pela manhã, seguindo ordem de chegada e exigindo receita médica. Os remédios são doados por congregações franciscanas e por cidadãos cubanos residentes no exterior.

O Impacto da Crise no Cotidiano

Juana Emilia Zamora, uma aposentada de 71 anos, procurou o local porque os medicamentos necessários não estavam disponíveis na farmácia estatal. Ela mencionou que, embora fosse possível buscar no mercado informal, os preços são excessivamente altos.

A idosa, que recebe uma pensão de 2.000 pesos cubanos, viu que o valor oficial equivaleria a cerca de 83 dólares (aproximadamente R$ 416), mas no mercado paralelo, o valor real é inferior a quatro dólares.

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A Crescente Dependência Comunitária

Quando a paróquia iniciou a distribuição gratuita de remédios em 2022, Gretel Agrelo, leiga da igreja, recorda que poucas pessoas compareciam semanalmente. Atualmente, cerca de 300 pessoas, majoritariamente idosos, dependem do auxílio da igreja. A assistente paroquial lamenta que a situação piorou e que os suprimentos não são suficientes.

Alguns idosos deixam notas amassadas na caixa de doações como forma de agradecimento. O frei Luis Pernas, sacerdote franciscano, expressa sua preocupação com o número crescente de cubanos que estão “privados do mínimo para viver”.

Histórico e Resiliência da Igreja Católica

Em Cuba, a relação entre a Igreja Católica e a revolução socialista liderada por Fidel Castro foi complexa. Em 1961, as obras sociais da Igreja foram confiscadas pelo Estado, que buscava controlar os pilares educacional e de saúde.

Contudo, o fim do ateísmo estatal nos anos 1990, quando Cuba se tornou um país laico, e sucessivas crises econômicas, fortaleceram progressivamente o papel social da Igreja. O Vaticano atuou como mediador histórico, e a ONG Cáritas recebeu ajuda humanitária americana de nove milhões de dólares (R$ 46 milhões) desde janeiro, destinada aos afetados pelo furacão Melissa no leste da ilha.

Apoio Comunitário em Havana

As congregações protestantes também intensificaram seu trabalho social diante da crise. Na Igreja Batista Nazareth de La Víbora, em Havana, um centenar de pessoas comparece ao culto três vezes por semana. Após o serviço, elas podem almoçar e receber atendimento médico.

Serviços Essenciais para os Vulneráveis

O pastor Karell Lescay, médico pediatra de 52 anos, explica que a maioria dos frequentadores são idosos que vivem sozinhos ou pertencem a famílias com poucos recursos, mas também há mães solteiras e pessoas com deficiência física.

O templo, que há dois anos preparava almoços para “90 pessoas”, viu esse número aumentar drasticamente devido ao “colapso econômico”. Aleida Rodríguez, de 84 anos, ao aguardar atendimento médico, ressalta como a igreja está sendo um apoio “muito importante” em tempos difíceis.

Desafios na Manutenção do Apoio

O cheiro de comida, como feijão-preto, arroz, carne e salada de repolho, permeia o local. Sem o auxílio da igreja, o acesso a refeições como essa seria muito difícil, especialmente porque o Estado não consegue mais garantir a “libreta”, a caderneta de racionamento com produtos subsidiados.

Os alimentos e medicamentos distribuídos vêm de doações de famílias cubanas residentes na ilha. Apesar disso, manter o refeitório é um “desafio muito grande” devido aos apagões prolongados e ao preço “exagerado” dos itens básicos.

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