São Paulo lidera eletrificação de ônibus com 1.471 veículos elétricos em 2026

São Paulo Domina a Eletrificação de Ônibus no Brasil em 2026
Em 2026, o Brasil contabiliza 130 mil ônibus urbanos movidos a diesel em circulação. Até fevereiro, o país possuía 1.471 ônibus elétricos, com a maior parte – mais de 80% – concentrada em São Paulo. A capital paulista lidera a eletrificação do transporte coletivo nacional, operando com mais de mil unidades elétricas, resultado de uma política municipal implementada desde 2019 que proíbe a renovação de frota com veículos a diesel. “O que vimos foi um foco na São Paulo, sem escalar para o restante do país”, declarou João Paulo Ledur, diretor de Estratégia, Digital e Inovação da fabricante Marcopolo.
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Contraste Geográfico e Desafios para o Resto do País
Essa concentração geográfica representa um desafio para a expansão do mercado de ônibus elétricos no Brasil. “Acompanhei o início do processo em Santiago e Bogotá”, afirmou Carlos Eduardo Souza, CEO da TEVX, fabricante de soluções para transporte, e membro da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). “Era um ritmo muito mais lento do que o que acontece por aqui.” O restante do Brasil, com poucas exceções, ainda observa o avanço de São Paulo de longe.
Cenário de Crescimento e Concentração
Em 2025, o Brasil registrou um aumento expressivo de 170% nos emplacamentos de ônibus elétricos, alcançando a terceira posição na América Latina, com projeção de ultrapassar Chile e México antes do fim do ano. No entanto, essa expansão é marcada por uma concentração geográfica que compromete a otimismo em relação ao mercado. “4 em cada 5 dos ônibus elétricos em operação no país estão em São Paulo”, constatou a ABVE, com base em dados de janeiro de 2022 a abril de 2025, onde 81% dos emplacamentos ocorreram na capital paulista.
A região Sudeste concentrava 89% dos emplacamentos, enquanto Norte e Nordeste somavam menos de 2%.
Exceções e Novos Modelos
Apesar da concentração, algumas cidades estão se destacando na eletrificação. Aracaju foi a primeira capital nordestina a adquirir ônibus elétricos, mesmo com frotas antigas sem ar-condicionado. A TEVX forneceu os 15 veículos para a capital sergipana, enquanto Manaus recebeu 14 unidades da Eletra em 2023 e Goiânia inaugurou o maior ônibus elétrico do mundo, fabricado em parceria entre Volvo e Marcopolo, em 2024.
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São Paulo, por sua vez, planejava atingir 2.600 ônibus elétricos até o fim de 2024, com a liberação de R$ 324,3 milhões para a compra dos veículos.
Custos e Infraestrutura: os Principais Obstáculos
Apesar da vontade política, o custo dos ônibus elétricos – três a cinco vezes maior que os modelos a diesel – e a falta de infraestrutura adequada representam os principais obstáculos para a expansão do mercado. “Para um carro elétrico, você carrega na tomada da sua casa.
Vai levar algum tempo, não é ideal, mas funciona. Para uma frota de 100, 200 ônibus no mesmo local, você precisa de investimento gigantesco e de planejamento”, alertou Ledur, da Marcopolo.
Investimento Público e Modelos de Financiamento
O modelo mais replicado até agora é o de São Paulo, com o município captando recursos do BNDES e transferindo os veículos ao operador privado como parte do contrato de concessão. “O município faz subvenção. Ele paga 75% do valor do ônibus para o fabricante e 25% vem do empresário”, sintetizou Romano. Especialistas e líderes do setor apontam para a necessidade de incentivos para tornar os processos mais atrativos para fundos de investimento e para a adoção de modelos de financiamento, como o de negócio em que o investidor financia o pacote completo (veículo, infraestrutura e energia) e é remunerado ao longo de 12 a 15 anos, com garantias do poder público.
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