SAF de Canola no Brasil: Potencial de reduzir emissões em até 55%? Entenda!

SAF de Canola no Brasil: potencial de reduzir emissões em até 55% comparado ao Jet-A1. Saiba os limites e o futuro desse combustível verde!

26/04/2026 08:35

4 min

SAF de Canola no Brasil: Potencial de reduzir emissões em até 55%? Entenda!
(Imagem de reprodução da internet).

Potencial de Redução de Emissões do SAF de Canola no Brasil

Uma avaliação detalhada do ciclo de vida do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), produzido a partir da canola de segunda safra no Brasil, aponta para um potencial significativo de redução de até 55% nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

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Este resultado é comparado ao querosene fóssil Jet-A1.

O estudo empregou a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), analisando todas as fases, desde o cultivo da matéria-prima até o uso final do combustível no avião. Essa abordagem permite entender os impactos ambientais por toda a cadeia produtiva.

Limitações e Potencial de Mitigação

Segundo a analista da Embrapa Meio Ambiente, em um cenário otimista e hipotético, a redução das emissões poderia atingir 55%. Contudo, ela ressalta que esse número representa um potencial máximo, baseado em condições ideais de adoção ainda não totalmente viáveis na prática.

Atualmente, existem barreiras técnicas e regulatórias. Por exemplo, no caso do SAF tipo HEFA, que usa óleos e gorduras, a mistura com o querosene convencional é limitada a cerca de 50%. Isso impede a substituição total do combustível de jatos por alternativas sustentáveis.

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Interpretação dos Resultados

Dessa forma, os percentuais apresentados devem ser vistos, segundo Sabaini, como uma estimativa do potencial de mitigação de emissões, e não como um resultado imediato ou garantido. O avanço dependerá de fatores como a evolução tecnológica, o aumento da produção de SAF e mudanças nas regulamentações do setor.

Cenários e Fatores Determinantes do SAF

A análise considerou todas as emissões, desde a produção da canola até a queima do combustível. Foram utilizados dados reais de produtores brasileiros, simulando condições tropicais de cultivo em sistema de segunda safra. O estudo modelou a rota HEFA, que transforma óleos vegetais em combustível de aviação.

Foram avaliados três cenários para a produção de 1 MJ de bioquerosene: Jet-A1 fóssil; mistura de 50% SAF e 50% Jet-A1; e 100% SAF. O trabalho dialoga com diretrizes internacionais, como o programa da OACI, e políticas nacionais de descarbonização.

O Papel da Agricultura e dos Bioinsumos

Os resultados apontam que a fase agrícola é responsável pela maior parte das emissões no ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo contribui com aproximadamente 34,2 g de CO₂ eq./MJ, impulsionado principalmente pela produção de fertilizantes e emissões de óxido nitroso (N₂O) do solo.

O pesquisador da Embrapa Agroenergia destacou que a produção e o uso de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, são o ponto crítico do sistema, tanto pelas emissões quanto pelos impactos em água e ecossistemas. Bioinsumos são vistos como uma excelente alternativa para reduzir essas emissões.

Hidrogênio Verde e Vantagens Brasileiras

A origem do hidrogênio na produção do combustível é um fator decisivo. Substituir o hidrogênio fóssil por aquele gerado a partir de fontes renováveis, como solar e eólica, causa uma redução expressiva nas emissões da etapa industrial. A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode diminuir significativamente a intensidade de carbono.

Um diferencial importante é o cultivo da canola como segunda safra, em rotação com a soja. Isso permite aproveitar áreas já utilizadas, aumentando a eficiência do uso da terra. Essa característica confere à canola brasileira uma vantagem comparativa, pois não compete com culturas principais por área.

Implicações para Políticas Climáticas e Futuras Pesquisas

Os achados sublinham a necessidade de ferramentas regulatórias brasileiras para expandir os biocombustíveis. Atualmente, a canola ainda não está contemplada na rota HEFA do RenovaBio, o que poderia ser melhorado com a inclusão dessa matéria-prima.

Além da redução de carbono, o estudo reforça que a análise ambiental deve considerar impactos sobre água, solo e ecossistemas. A pesquisa aponta que o Brasil possui condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia renovável, potencializando os benefícios climáticos do SAF.

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