Ricardo Barbosa cobra explicações sobre falta de rotas de ônibus em 2026

Ricardo Barbosa pressiona governo por falta de rotas de ônibus em 2026, expondo falhas na regulamentação.

05/07/2026 12:10

3 min

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Passageiros de 2.494 Cidades Brasileiras Sem Novas Rotas de Ônibus Interestaduais Após Três Anos

Mais de 2.494 cidades brasileiras permanecem sem acesso a novas rotas de ônibus interestaduais, três anos após a implementação de um projeto regulatório com o objetivo de estimular a concorrência e reduzir os preços das passagens. A situação, revelada por um cruzamento de documentos oficiais e dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), expõe um cenário de contradições e decisões que impactaram diretamente a conectividade do interior do país.

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A Burocracia Como Barreira

A Resolução nº 6.033/2023 da ANTT, lançada em 2023, visava abrir o mercado de transporte rodoviário, permitindo a entrada de novas operadoras e a criação de 41.833 rotas de ônibus em todo o território nacional. No entanto, a burocracia do processo regulatório, agravada por cortes orçamentários, impediu a implementação das medidas e manteve o mercado fechado.

Requerimento de Informação e Resposta Chancelada

Em maio de 2026, o deputado federal do Partido Liberal (PL) do Ceará, Ricardo Barbosa, apresentou o Requerimento de Informação 5.507/2025, cobrando explicações formais do governo sobre o atraso na abertura do mercado. A resposta, enviada pelo Ministério dos Transportes, foi chancelada e encaminhada ao Congresso, atribuindo à falta de recursos a impossibilidade de manutenção dos sistemas de informação necessários para avaliar os pedidos das empresas.

A responsabilidade institucional sobre as informações repassadas ao Poder Legislativo recai sobre o gabinete ministerial.

Negativa da ANTT e Falhas de Governança

A ANTT negou a existência do requerimento de informação 5.507/2025. A agência também não produziu estudos técnicos, pareceres jurídicos ou Análises de Impacto Regulatório (AIR) para embasar o travamento do mercado, ancorando – se apenas nos contingenciamentos.

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Além disso, o processo contou com despachos e considerações da área de Concessões Rodoviárias do Ministério dos Transportes, com avaliações em um processo exclusivo de mercado de ônibus interestadual, apresentando erros históricos e incongruências cronológicas.

Liberação de Recursos e Operação dos Sistemas

Em abril de 2026, após uma recomposição de verbas de R 81,2 milhões, formalizada pela Portaria 134 do Ministério do Planejamento e Orçamento, a ANTT publicou os resultados da Janela Extraordinária. A velocidade na divulgação dos dados, que antes eram considerados inoperantes, revelou que a avaliação das empresas já estava sendo realizada internamente, contrariando o argumento de inviabilidade tecnológica.

A liberação integral dos dados em um curto espaço de tempo demonstra a operação dos sistemas.

Impacto da Análise dos Dados: Restrição de 41.833 Rotas

A análise dos dados gerados revelou diferenças nos critérios de avaliação aplicados às empresas participantes, com impacto direto na conectividade do país. A base de dados interna “DCMonopolistas” validou 4.868 rotas mediante “contemplação direta”, assegurando os mercados às empresas que já operavam os trechos.

O balanço consolidado indica que, atualmente, o Brasil possui 36.722 rotas já existentes na mão dessas empresas tradicionais. Paralelamente, houve o registo da eliminação de 6.955 solicitações feitas pelas empresas interessadas, resultando na restrição de 41.833 novas rotas, os chamados “mercados janela”, e privando 2.494 cidades de contar com novas opções de viagens e eventuais reduções tarifárias.

Conclusão: Um Cenário de Exclusão Rodoviária

O impacto da restrição se traduz na exclusão rodoviária em 669 municípios sem linhas interestaduais legalizadas. A situação evidencia um processo administrativo flexível para garantir a permanência das linhas consolidadas, atuando como uma barreira de alta rigidez formal para restringir a entrada de concorrentes e limitar a expansão da malha rodoviária.

O Ministério Público Federal (MPF) já cobra explicações formais da ANTT sobre as reais justificativas para a suspensão abrupta do processo de abertura do mercado e os impactos concorrenciais da medida.

A situação permanece em aberto, aguardando a publicação de novas planilhas de resultados pela ANTT em 15 de junho de 2026.

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