Quênia e EUA criam centro de quarentena para Ebola após restrição judicial

Quênia e EUA criam centro de quarentena para Ebola, buscando conter surto na RDC com mais de 1.000 casos confirmados

21/06/2026 00:00

4 min

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Quênia e EUA Estabelecem Centro de Quarentena para Ebola Após Restrição Judicial

Em 6 de junho de 2026, o governo do Quênia prosseguiu com os planos de estabelecer um centro de quarentena e tratamento do Ebola em uma instalação militar, em parceria com os Estados Unidos. O acordo foi temporariamente bloqueado por um tribunal superior queniano no início da semana.

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A instalação visa atender americanos potencialmente expostos ao vírus mortal na República Democrática do Congo (RDC), localizada a mais de 2.400 quilômetros de distância.

O Ministério da Saúde do Quênia declarou, em 29 de maio de 2026, que a iniciativa “fortalecerá a capacidade de monitoramento, isolamento e resposta a emergências”. Adicionalmente, o ministério informou que outros centros de isolamento e tratamento seriam instalados, incluindo no Hospital Nacional Kenyatta, em Nairóbi, e no Hospital da Polícia Nacional do Quênia.

Uma fonte do governo dos EUA, envolvida na resposta ao Ebola, relatou à CNN que americanos responsáveis pela instalação chegaram à Base Aérea de Laikipia, a cerca de 200 quilômetros ao norte de Nairóbi, em 30 de maio de 2026.

O Ministério da Saúde do Quênia afirmou que a parceria “reforça a vigilância, a capacidade de diagnóstico, os exercícios de preparação para emergências, o fornecimento de materiais médicos essenciais e a capacidade de resposta rápida”.

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A medida surge após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ter assegurado no início da semana que os EUA “não podem e não permitirão a entrada de quaisquer casos de Ebola nos Estados Unidos”, gerando oposição da sociedade civil queniana, que protestou contra um aparente duplo padrão.

O surto, oficialmente declarado em 15 de maio de 2026 na RDC, tem causado pelo menos 238 mortes e mais de 1.000 infecções suspeitas. A doença, causada pela cepa Bundibugyo, é rara e não possui vacina ou tratamento aprovado. O vírus também se espalhou para Uganda, onde foram confirmados sete casos.

O acordo entre os EUA e o Quênia, anunciado em 28 de maio de 2026, foi criticado por médicos quenianos e funcionários dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O Instituto Katiba, grupo da sociedade civil no Quênia, contestou judicialmente a medida.

A juíza do Tribunal Superior, Patricia Nyaundi, proibiu o Quênia de estabelecer ou operar qualquer instalação relacionada ao Ebola sob acordos com os EUA ou outros governos estrangeiros, e de admitir no país qualquer pessoa exposta ou infectada pelo vírus até que o processo judicial seja resolvido.

O caso retornará ao tribunal em 2 de junho de 2026.

Autoridades do governo Trump descreveram a instalação proposta como “de última geração” e “projetada para fornecer acesso a cuidados de alta qualidade para americanos que precisassem sair rapidamente da República Democrática do Congo e cumprir quarentena sem os riscos de um longo transporte de volta aos EUA”.

No início deste mês, um médico americano que trabalhava na RDC e testou positivo para o vírus Ebola foi evacuado para a Alemanha. Outro cidadão americano com risco de exposição foi transferido para a República Tcheca.

Um alto funcionário do governo Trump afirmou que os EUA receberam aprovação do governo queniano para uma unidade de quarentena com 50 leitos, que deve entrar em operação na sexta-feira (29). A autoridade americana afirmou que a capacidade de isolamento e biocontenção adicional será ampliada posteriormente na Base Aérea de Laikipia.

Pacientes que desenvolverem sintomas ou testarem positivo serão transferidos para outras instalações.

Um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) informou à CNN que o Corpo de Oficiais Comissionados do Serviço de Saúde Pública dos EUA está enviando uma equipe de oficiais altamente treinados ao Quênia para apoiar o atendimento, o monitoramento e a quarentena de cidadãos americanos que deixam a República Democrática do Congo, como parte de um esforço interinstitucional coordenado com o Departamento de Estado e o Departamento de Guerra.

A equipe inclui médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, profissionais de saúde mental e engenheiros.

O principal sindicato de médicos do Quênia e a Ordem dos Advogados do Quênia alertaram para o risco de importação do Ebola para o país. O Dr. Davji Bhimji Atellah, secretário-geral do Sindicato dos Médicos, Farmacêuticos e Dentistas do Quênia (KMPDU), questionou a lógica de localizar a unidade no Quênia, observando o sistema de saúde sobrecarregado do país.

O Brasil anunciou que estava investigando um caso suspeito de Ebola na cidade de São Paulo em 30 de maio de 2026. Um paciente, que viajou recentemente para a República Democrática do Congo, está sendo tratado em isolamento no Instituto Emílio Ribas de Doenças Infecciosas.

A Coordenação de Controle de Doenças e o Centro de Vigilância Epidemiológica do estado estão monitorando a situação.

A Cruz Vermelha alertou que outros 10 países africanos estão em risco: Ruanda, Quênia, Tanzânia, Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Etiópia, Sudão do Sul e Zâmbia.

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