Irã acusa AIEA de usar ataques como pressão política

Irã acusa AIEA de usar ataques como pressão política, intensificando tensões e gerando preocupações sobre a proliferação nuclear

20/06/2026 15:10

3 min

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Irã Acusa AIEA de Usar Ataques como Instrumento de Pressão Política

Teerã, Irã – O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, criticou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na quinta-feira (4), alegando que a agência está utilizando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações nucleares iranianas para criar “ambiguidade” em torno do programa nuclear de Teerã.

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Gharibabadi afirmou que a perda da capacidade da AIEA de supervisionar algumas instalações foi resultado direto dos ataques, e não de qualquer falta de cooperação por parte do Irã.

AIEA e o Relatório Trimestral

A declaração ocorreu após a AIEA enviar um relatório aos Estados integrantes, reiterando os apelos para que Teerã explique o destino dos estoques de urânio enriquecido. O urânio desapareceu após uma campanha de bombardeio conjunta dos EUA e de Israel, realizada no ano passado, que teve como alvo as principais instalações nucleares iranianas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, citaram repetidamente a destruição do programa nuclear iraniano como um dos principais objetivos dos ataques realizados no final de fevereiro.

Foco na Continuidade do Conhecimento

O relatório confidencial sobre o Irã, um dos dois divulgados na quinta-feira (4), foi visto pela agência Reuters antes da reunião trimestral do Conselho de Governadores da AIEA, composta por 35 nações. Os relatórios mostraram poucas mudanças em relação aos anteriores, do final de fevereiro, pouco antes da última guerra. “O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica enfatizou ao Irã que é indispensável e urgente implementar efetivamente o Acordo de Salvaguardas do TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear) e que sua implementação não pode ser suspensa pelo Irã sob nenhuma circunstância”, diz o relatório.

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A AIEA não conseguiu retornar aos acessos às instalações em junho passado.

Preocupações com a Proliferação

Israel ainda não informou à AIEA sobre o destino de seus estoques de urânio pouco e altamente enriquecido (HEU e o LEU), incluindo urânio enriquecido a até 60% de pureza, um passo abaixo dos cerca de 90% de grau militar. “A falta de acesso da Agência para verificar o HEU e o LEU previamente declarados, durante quase um ano – o que já deveria ter sido feito há muito tempo, de acordo com as práticas padrão de salvaguardas – é motivo de preocupação em termos de proliferação e de conformidade com o Acordo de Salvaguardas do TNP”, afirmou o relatório.

A falta de supervisão por tanto tempo leva à perda do controle sobre o assunto, o que a agência chama de perda da “continuidade do conhecimento”. “A perda de continuidade do conhecimento da Agência sobre todo o material nuclear previamente declarado em instalações afetadas no Irã precisa ser abordada com a máxima urgência”, afirmou, referindo-se aos locais afetados, ou atingidos, nos ataques militares dos EUA e de Israel em junho.

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