Potencial Solar em Itaipu: Como a “Ilha Solar” pode revolucionar a energia do Rio Paraná?

Potencial Solar e Inovação em Itaipu: Além da Hidrelétrica
O reservatório de água da usina de Itaipu, localizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, na Região Sul, possui um perímetro de aproximadamente 1.300 km² e se estende por quase 170 km. Sua largura média entre as margens direita e esquerda atinge cerca de 7 km.
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Toda a capacidade hidrelétrica gerada no Rio Paraná, que movimenta turbinas capazes de produzir até 14.000 megawatts (MW) de eletricidade, pode ser complementada com a instalação de painéis solares sobre o espelho d’água.
Estudo de Viabilidade da “Ilha Solar“
Este experimento tem sido objeto de estudo por técnicos brasileiros e paraguaios desde o final de 2025. Foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área menor que 10.000 m², localizados a 15 metros de um trecho da margem paraguaia, em profundidade de 7 metros.
A planta solar atual em Itaipu possui capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp). Essa energia, equivalente ao consumo de 650 residências, é destinada apenas ao consumo interno, sem comercialização ou conexão direta com a rede hidrelétrica.
Objetivo Laboratorial e Análises Ambientais
Atualmente, a “ilha solar” de Itaipu funciona como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Os engenheiros monitoram diversos aspectos ambientais e estruturais.
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São analisadas a interação das placas com o meio, incluindo potenciais impactos em peixes e algas, variações na temperatura da água, a influência dos ventos no desempenho dos painéis e a estabilidade da ancoragem dos flutuadores ao solo.
Projeções Futuras e Expansão Energética
A visão futura é expandir a geração elétrica por esta via, o que exigiria atualizações no Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que possibilitou a construção da usina.
“Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração. Claro que isso não está nos planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa”, afirmou Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional.
Potencial de Geração e Investimento
Estimativas preliminares sugerem que seriam necessários pelo menos quatro anos de instalação para alcançar uma geração solar de 3.000 megawatts, o que representaria cerca de 20% da capacidade hidrelétrica instalada hoje. O investimento previsto é de US$ 854,5 mil.
As obras de instalação foram conduzidas por um consórcio binacional vencedor de licitação, composto por empresas brasileiras e paraguaias.
Diversificação Energética: Hidrogênio Verde e Baterias
A diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional vai além da energia solar, abrangendo projetos avançados com hidrogênio verde e sistemas de baterias. Essas iniciativas estão sendo desenvolvidas no Itaipu Parquetec, um polo de inovação e tecnologia.
Criado em 2003 em Foz do Iguaçu (PR), o Parquetec conta com parcerias de universidades e empresas, já formando mais de 550 mestres e doutores em diversas áreas.
O Desenvolvimento do Hidrogênio Verde
No local, opera o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, focado no hidrogênio verde. Este tipo de hidrogênio é considerado sustentável por não emitir dióxido de carbono ($\text{CO}_2$), gás responsável pelo aquecimento global.
A técnica empregada no Itaipu Parquetec é a eletrólise da água, processo que separa os elementos químicos de moléculas como a $\text{H}_2\text{O}$ usando equipamentos automatizados em laboratório.
Aplicações Versáteis e Plataforma de Testes
O hidrogênio verde é um insumo sustentável para setores como siderurgia, química, petroquímica, agricultura e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção serve como plataforma para projetos-piloto.
“Nós somos uma plataforma tecnológica, então trabalhamos para atender, por exemplo, projetos de pesquisa científica ou projetos para a indústria nacional. Existem algumas empresas nacionais que estão fazendo seus desenvolvimentos de carreta movida a hidrogênio, de ônibus a hidrogênio, por exemplo.
Aqui é o lugar para testar e validar esses projetos”, explicou Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec.
Gestão Energética e Impacto em Eventos Globais
Um destaque do Itaipu Parquetec é o centro de gestão energética, que impulsiona pesquisas em células e protótipos para fabricação e reaproveitamento de baterias. Isso é crucial para o armazenamento de energia em sistemas fixos, como reservas para empresas.
Essa capacidade de inovação foi evidenciada durante a COP30, em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, resultado de pesquisa no Parquetec, foi entregue para auxiliar na coleta seletiva em comunidades ribeirinhas da capital paraense.
Este conteúdo foi originalmente reportado pela Agência Brasil em 21 de abril de 2026.
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