Estreito bloqueado: Trump e EUA reagem à nova tensão do Irã em 2026

Especialista alerta: mercado de combustíveis vive “nova normalidade” pós-conflito. Entenda o impacto do fechamento do estreito e a tensão entre EUA e Irã.

18/04/2026 15:56

4 min

Estreito bloqueado: Trump e EUA reagem à nova tensão do Irã em 2026
(Imagem de reprodução da internet).

Mercado Global de Combustíveis: Nova Normalidade Pós-Conflito

A expectativa de um retorno rápido à normalidade no mercado global de combustíveis é considerada prematura, mesmo com um cessar-fogo no Oriente Médio. Essa avaliação foi feita pelo diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, colunista no Poder360.

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Segundo ele, é cedo para falar em um retorno ao cenário anterior à guerra. O mercado já entrou em uma “nova normalidade”, um estado comparável aos impactos estruturais vivenciados após a era da Covid-19, caracterizada por uma volatilidade constante.

Impactos Estruturais e a Geopolítica do Petróleo

Embora alguns analistas vejam o cenário como positivo no médio prazo, devido à continuidade do fluxo mundial de combustível, o que pode levar de um a dois meses para uma normalização, o especialista reforça que a “ressaca logística” e a nova dinâmica geopolítica do petróleo são a realidade atual.

O Fechamento do Estreito como Marco de Mudança

O fechamento do estreito, que era uma ameaça constante em conflitos passados, mas que agora se concretizou, é o ponto fundamental dessa nova dinâmica. Essa via navegável é crucial, pois por ela transita cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás.

A passagem ficou praticamente bloqueada após os Estados Unidos e Israel iniciarem a ofensiva contra o Irã, em 28 de fevereiro. O Irã havia anunciado a reabertura na sexta-feira, 17 de abril de 2026, mas neste sábado, 18 de abril, o país persa voltou a exercer controle rigoroso sobre o tráfego de navios comerciais.

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A Nova Tensão no Estreito

O anúncio veio do tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central da Guarda Revolucionária do Irã. O militar justificou a decisão alegando que os Estados Unidos não aliviaram seu bloqueio naval ao Irã, descumprindo um acordo bilateral.

Diante disso, o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), classificou a ação iraniana como “atrevida”, afirmando que o país não se deixará levar por “chantagens”. Pires apontou que o fechamento do estreito já inaugura uma nova realidade, exigindo atenção constante aos custos dos seguros marítimos.

Perspectivas de Longo Prazo e Benefícios Regionais

Mesmo com um possível cessar-fogo, a área permanecerá um ponto de alta tensão e instabilidade. A dependência do fornecimento de petróleo e gás da região representa um risco estratégico crescente para o mercado internacional. Pires destacou que a flutuação nos valores de seguro para os navios que transitarem ali manterá uma grande instabilidade.

Com essa nova dinâmica no estreito, empresas globais devem iniciar um esforço para diminuir a dependência de fornecedores do Oriente Médio, como Catar e Arábia Saudita. Isso já foi evidenciado pelo recorde de exportação de petróleo bruto dos Estados Unidos durante o conflito.

A Transição Energética e o Potencial Brasileiro

Refinarias na Europa e na Ásia passaram a disputar carregamentos dos Estados Unidos para compensar a perda de suprimento da região em conflito. Pires considera que esta é uma transição de longo prazo, visto que a exploração de novas fontes, especialmente gás natural, demanda altos investimentos e tempo de maturação para plantas de liquefação e regaseificação.

Neste novo desenho geopolítico, países com maior estabilidade política ou alinhamento estratégico, como a Venezuela, têm potencial para atrair investimentos. O diretor do CBIE avalia que o Brasil também pode ser beneficiado, desde que haja agilidade interna.

Ele defende que o governo acelere o licenciamento para a Margem Equatorial, que compõe o futuro da segurança energética nacional.

Projeção de Preços e Impacto Logístico

Em relação às projeções de preços, a perspectiva para o curto prazo exige cautela. Pires estima que o barril de petróleo dificilmente ficará abaixo de US$ 80 ainda este ano, pois o valor final dependerá diretamente da extensão dos danos estruturais na região.

Na sexta-feira, o barril foi cotado a US$ 90,3.

O mercado internacional de petróleo e derivados sofre um choque direto no custo logístico. Em março, o preço médio do óleo diesel atingiu R$ 7,26 por litro, segundo dados da ANP. Esse patamar foi impulsionado pela escalada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã, somado ao aumento do preço internacional do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

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