Por que repetimos hábitos? O efeito manada e a pressão social por sucesso em 2026

A Rotina Padrão: Como os Hábitos se Tornam Obrigatórios
Acordar cedo, iniciar o dia com água gelada no rosto, consumir um SuperCoffee, passar por treinos na academia ou na Velocity, meditar, organizar a agenda lotada e finalizar o dia com uma rotina de skincare. Em que momento esse roteiro de atividades se estabeleceu como um padrão? É questionável quando começamos a repetir os mesmos hábitos, frequentar os mesmos lugares e consumir as mesmas referências.
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Isso não é mera coincidência; é um claro efeito manada. Tendemos a seguir padrões, não necessariamente por convicção pessoal ou interesse genuíno, mas porque estes parecem ser o caminho socialmente aceito. Nosso cérebro busca economizar energia ao imitar o que parece funcionar para os outros.
Os Gatilhos por Trás da Imitação Social
Existem gatilhos psicológicos principais que alimentam esse comportamento. Um deles é a cultura do pertencimento, que nos impulsiona com o desejo de fazer parte de um grupo. Outro motor forte é a cultura da performance, que nos obriga a provar constantemente nossa produtividade.
Nesse cenário, o indivíduo observa o comportamento alheio, imita a ação e, frequentemente, publica essa imitação como uma espécie de prova online. Um exemplo marcante ocorreu no universo do marketing nos Estados Unidos.
O Caso dos Jingles Virais e a Reação do Mercado
No final do ano passado, a criadora Romeo (@romeosshow) publicou no TikTok uma ideia de jingle. A marca não apenas aprovou a música, mas a transformou em uma campanha publicitária, veiculando-a em um momento estratégico: durante o intervalo de um dos jogos mais assistidos do país.
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O resultado foi imediato: viralização.
O aspecto mais notável não foi só a campanha em si, mas o comportamento que ela desencadeou. Dezenas de criadores passaram a produzir jingles no mesmo formato, tentando replicar o sucesso. Grandes marcas como Denny’s, Buffalo Wild Wings, Subway, Popeyes e Vita Coco comentaram pedindo versões personalizadas.
A Lógica do Pertencimento em Outras Tendências
Essa mesma dinâmica se repete em outras febres recentes, como Labubu, morango do amor e Bobbie Goods. Nesses casos, a motivação não é primariamente a performance ou o ganho financeiro, mas sim o sentimento de pertencimento ou o FOMO (fear of missing out), o receio de ficar de fora.
Participar dessas tendências significa existir no ambiente digital. O risco, nesse contexto, não é físico, mas sim reputacional. A reputação, por sua vez, é medida por métricas como curtidas, comentários e validação pública, funcionando como pequenas provas de aceitação tribal.
Marcas Construindo Comunidades, Não Apenas Vendendo Produtos
Diante disso, as marcas perceberam que, para atrair o público, é preciso ir além da oferta de um produto ou serviço. É fundamental investir em mecanismos que ajudem a construir uma comunidade sólida. Hoje, o desafio não é apenas vender, mas sim criar espaços reais de conexão.
Essa necessidade é visível no investimento crescente das empresas em ações tanto online quanto offline. A presença física, em particular, consolidou-se como uma estratégia poderosa para fortalecer laços e aproximar o público. Em 2025, segmentos variados, como vestuário, alimentação e wellness, começaram a explorar espaços focados na convivência.
A Valorização do Mundo Analógico
Essas experiências incluem atividades como pintura em cerâmica, aulas de yoga e clubes do livro. Há também um motor secundário nessa estratégia: o desejo de desacelerar o ritmo acelerado do consumo digital e valorizar vivências no mundo analógico.
Contudo, essa busca por desaceleração não anula o objetivo central, que permanece sendo a construção de comunidade. Pelo contrário, reforça a ideia de que a conexão humana, hoje, é uma ação de grande eficácia mercadológica.
A Comunidade como Pilar Estratégico
Tanto marcas quanto criadores de conteúdo precisam incorporar a construção de comunidade como um pilar central em seus planejamentos táticos. Os criadores mais bem-sucedidos são, muitas vezes, aqueles que já cultivaram um círculo de seguidores leais: uma audiência que confia, interage e tende a acompanhar as recomendações feitas por esse grupo.
Em última análise, o desejo de pertencer é algo profundamente humano. As pessoas anseiam fazer parte de um grupo, estar no centro das conversas e se sentirem incluídas. E esse sentimento de pertencimento acaba sendo um ativo valioso tanto para quem cria conteúdo quanto para quem o consome.
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