Operação Narco Fluxo: Como MC Ryan SP e PCC envolviam R$ 1,6 bilhão em lavagem?

Operação Narco Fluxo desarticula esquema milionário! MC Ryan SP e PCCA envolvidos em lavagem de dinheiro de apostas. Saiba mais!

20/04/2026 06:03

4 min

Operação Narco Fluxo: Como MC Ryan SP e PCC envolviam R$ 1,6 bilhão em lavagem?
(Imagem de reprodução da internet).

Operação Narco Fluxo desarticula esquema de lavagem de dinheiro envolvendo MC Ryan SP e PCC

A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Narco Fluxo nesta quarta-feira, dia 15 de abril de 2026. O foco principal foi Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, suspeito de comandar um complexo esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Nesta ação, foram detidos também MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei. As investigações apontam que o esquema era utilizado para lavar valores provenientes de plataformas de apostas, como o chamado “jogo do tigrinho”, e de rifas realizadas de maneira clandestina.

A complexa movimentação financeira e a ligação com o PCC

As apurações indicam uma relação de “simbiose” com membros do PCC. Segundo a PF, esses integrantes injetavam dinheiro em apostas fraudulentas, cujos valores eram subsequentemente repassados para a empresa de Ryan. A Polícia Federal estima que o esquema movimentou impressionantes R$ 1,6 bilhão, transferindo valores entre apostadores, funkeiros e influenciadores.

Detalhes da Operação e os Alvos Investigados

A operação resultou na expedição de 45 mandados de busca e apreensão e 39 prisões temporárias. As diligências ocorreram em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

O Papel de MC Ryan SP no Esquema de Lavagem

MC Ryan SP é apontado como o principal articulador do esquema de lavagem de recursos. Os investigadores descobriram que ele utilizava suas empresas para agregar valores de shows e direitos autorais junto a quantias obtidas da exploração ilegal de apostas.

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A PF alega que o cantor seria o beneficiário final dessa estrutura, visto que a movimentação bancária não condiz com o faturamento que ele declara. Foram identificados recebimentos milionários de intermediários ligados a apostas não regulamentadas e influenciadores envolvidos em estelionato digital.

A Rede Financeira e os Intermediários

O relatório investigativo detalha que a estrutura de Ryan emprega uma rede de operadores financeiros, como seus assessores Tiago de Oliveira, Alexandre Paula de Sousa Santos e Lucas Felipe Silva Martins, entre outros. O objetivo era distanciar o dinheiro de possível origem criminosa antes de incorporá-lo ao patrimônio pessoal.

Assim, os recursos acumulados em contas jurídicas e de intermediários eram rapidamente desviados para a compra de bens de luxo, com transferências vultosas registradas em concessionárias de veículos, administradoras de imóveis, joalherias e lojas de grifes.

Outros Envolvidos e as Fontes de Renda Ilegítima

O eixo central do esquema, segundo a PF, era a exploração de apostas não regulamentadas e rifas online. A empresa OMS Tecnologia era usada para receber o grande volume de dinheiro depositado pelos apostadores.

Os investigadores afirmaram que a função da YCFSHOP/OMS não era vender produtos de e-commerce, mas sim receber milhões via Pix de pessoas físicas em todo o Brasil. Esse capital era acumulado e distribuído, usando artifícios para ocultar os destinatários finais, como operadores financeiros ligados a MC Ryan SP e empresas de setores como construção e joias.

O Caso de Raphael Sousa Oliveira (Choquei)

Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil Choquei, é investigado por atuar nas atividades de Ryan e nos jogos de aposta, recebendo comissões por essas divulgações. Os investigadores mostraram transferências diretas em suas contas, incluindo um repasse de R$ 270 mil para “exaltar o estilo de vida do artista”.

A decisão judicial apontou que sua função seria promover conteúdos favoráveis ao artista e plataformas de apostas, além de atuar na mitigação de crises de imagem. Os advogados de Raphael negaram irregularidades, alegando que as movimentações são serviços publicitários lícitos.

MC Poze do Rodo e Deolane Bezerra

Em relação a MC Poze do Rodo, há indícios de que Ellyton Rodrigues Feitosa recebeu quase R$ 2 milhões de sua gravadora e de sua ex-mulher, Viviane Noronha. Este, por sua vez, repassou valores para produtoras do artista e para o “MC Danielzinho Grau”, ligado a sorteios online, sugerindo seu papel como operador financeiro.

A influenciadora Deolane Bezerra, embora não fosse alvo direto, teve uma movimentação suspeita de R$ 430 mil de suas contas para Ryan. Posteriormente, ela fez repasses de R$ 1,1 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr. e comprou veículos importados.

A PF concluiu que essa transferência não tinha justificativa comercial comum, fortalecendo a tese de um ecossistema financeiro compartilhado entre Deolane e MC Ryan SP.

Conclusão das Investigações

As autoridades continuam apurando os detalhes do fluxo financeiro, que envolveu múltiplos setores e figuras públicas. As defesas dos envolvidos negaram qualquer irregularidade, defendendo a legalidade de todas as transações financeiras realizadas.

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