Natura (NATU3) reverte queda do Ibovespa: o que impulsiona a valorização em 2026?

Natura (NATU3) Reverte Queda do Ibovespa com Forte Valorização em 2026
Após registrar grandes quedas no Ibovespa em 2025, as ações da Natura (NATU3) apresentaram uma das reviravoltas mais notáveis do índice da B3 neste ano. Em menos de quatro meses, os papéis acumularam uma valorização expressiva de 37,58%, conforme fechamento desta quarta-feira, 15.
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Esse desempenho quase anula a queda de 41,61% vista no ano anterior, período em que o próprio Ibovespa avançou quase 34%.
Destaque em um Cenário de Commodities
No mês passado, período marcado pela escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, o que impulsionou o petróleo e beneficiou empresas de commodities, a Natura se destacou. A ação subiu 14,60%, figurando entre os maiores destaques positivos do índice, sendo a única fora dos setores de energia e agrícola.
O Que Mudou na Percepção do Mercado
Analistas apontam que o desempenho fraco da companhia no ano passado foi resultado de revisões negativas de expectativas e resultados operacionais abaixo do esperado. O segundo e o terceiro trimestres foram particularmente desafiadores, pressionando os papéis.
A decepção com os números, somada a custos elevados com integração e digitalização, deteriorou a visão dos investidores. Contudo, parte desse movimento está se revertendo. “Ano passado as expectativas foram revisadas para baixo, e este ano tivemos fatores que compensaram isso”, comenta Vinícius Strano, analista do UBS BB.
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Fatores Impulsionando a Virada de NATU3
Apesar da recuperação recente, alguns gestores observam que a ação ainda está significativamente abaixo de seu pico histórico. Daniel Utsch, da Nero Capital, aponta que, mesmo com a valorização, a ação ainda está mais de 80% abaixo do máximo atingido em julho de 2021.
Eficiência Operacional como Motor Principal
O principal motor dessa melhora tem sido a eficiência da companhia. Embora a receita líquida tenha caído 12,1%, para R$ 6,2 bilhões, devido à fraqueza do consumo na América Latina, o Ebitda recorrente avançou para R$ 978 milhões, com margem de 15,8%.
Esse avanço foi impulsionado por cortes de custos e ganhos operacionais. O BB Investimentos classificou o resultado como “misto”, mas com ganhos em rentabilidade e avanço no lucro líquido das operações continuadas. O BTG Pactual também ressaltou que o Ebitda e o lucro ficaram acima das expectativas, graças à otimização de despesas.
Simplificação Estrutural e Foco Regional
Outro pilar da melhora de percepção é a mudança estrutural em curso. Após anos de expansão internacional com aquisições como Avon, The Body Shop e Aesop, a Natura está desmontando parte dessa estratégia.
A venda de ativos e a saída de mercados menos rentáveis indicam um novo foco. Para o Santander, isso representa o último passo na simplificação, voltando o olhar dos investidores para a retomada da marca na América Latina, onde a empresa possui maior escala e reconhecimento.
Governança e Perspectivas Futuras
A recente alta também foi catalisada por mudanças na governança e pela entrada de um investidor institucional relevante. Em março, houve uma reformulação do conselho, com a saída dos fundadores do board e a criação de um conselho consultivo.
Essa movimentação foi bem recebida, pois reforça a narrativa de valor das ações. O BB Investimentos destaca que a melhora na alavancagem, com a relação dívida líquida/EBITDA em 1,3 vez, abre espaço para dividendos mais robustos, um sinal positivo para acionistas.
Apesar do otimismo, o mercado mantém cautela. O BTG Pactual vê um “ponto de inflexão positivo”, mas ressalta que a valorização depende da entrega operacional futura. O Santander aponta riscos como a concorrência acirrada no Brasil e o ambiente macroeconômico para bens não essenciais, indicando que o caminho ainda é longo.
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