Ministério Público de SP investiga infiltração do PCC com operação ousada

O Ministério Público de São Paulo deu início, na terça-feira, 9 de maio de 2026, à Operação Infiltrados, uma investigação abrangente sobre as novas estratégias do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, que se desdobra a partir do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), busca desvendar suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos, vazamento de informações confidenciais e até mesmo a presença de membros da facção criminosa dentro das próprias estruturas do Ministério Público.
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Raízes da Investigação
A Operação Infiltrados surge como um desdobramento das investigações iniciadas após a Operação Pronta Resposta, realizada em agosto de 2025. Essa operação original visava impedir um suposto atentado contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, também integrante do Gaeco.
Durante a Operação Pronta Resposta, promotores descobriram que um dos suspeitos do plano de atentado se encontrou com o chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, poucos dias antes da ação policial.
Evidências e Suspeitas de Vazamento de Informações
Vídeos apreendidos pelo Gaeco documentaram esse encontro, levantando suspeitas de que informações sigilosas sobre a operação estavam sendo repassadas ao criminoso. A investigação agora se concentra em determinar se houve, de fato, um vazamento de dados confidenciais.
A complexidade da situação se agrava com a suspeita de que a infiltração do PCC não se limitasse apenas a agentes públicos, mas também a um estagiário do próprio Ministério Público.
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Estagiário Suspeito de Infiltração
Segundo o Gaeco, o estagiário teria utilizado sistemas internos e bancos de dados para identificar membros da organização criminosa com grande poder econômico. Há indícios de que, em troca de proteção contra investigações, ele exigiu dinheiro desses criminosos.
A investigação também aponta para a participação de um policial penal e de um ex-policial civil, expulso da corporação após ser condenado por extorsão mediante sequestro, ambos ainda sob investigação.
Extorsão e Uso de Conexão de Internet
As apurações revelaram que parte das extorsões teria sido praticada utilizando a conexão de internet de um escritório de advocacia. A Operação Infiltrados resultou na execução de 10 mandados de busca e apreensão e 3 mandados de prisão temporária, nas cidades de Campinas e Cardoso, interior de São Paulo.
A complexidade da investigação, envolvendo a Polícia Civil e a Polícia Penal, demandou o apoio das corregedorias das duas corporações.
A Comissão de Prerrogativas da OAB também acompanhou as buscas realizadas em escritório de advocacia. A Operação Infiltrados representa um marco na luta contra o crime organizado, buscando expor e punir aqueles que, de alguma forma, facilitam a atuação do PCC em São Paulo.
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