LVMH alerta: Guerra no Oriente Médio e Europa derrubam vendas do luxo?

Impacto da Guerra no Oriente Médio Reduz Vendas do Setor de Luxo, Diz LVMH
A gigante francesa LVMH sinalizou que o conflito no Oriente Médio impactou negativamente suas vendas no último trimestre. O conglomerado reportou uma queda de pelo menos 1% nas vendas totais, atribuindo o revés à diminuição dos gastos na região do Golfo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Além disso, a redução no fluxo de turistas na Europa também contribuiu para o resultado menos positivo. Este anúncio da LVMH, que foi a primeira grande empresa de luxo a divulgar seus resultados do primeiro trimestre, tende a elevar a apreensão dos investidores sobre o setor, avaliado em US$ 400 bilhões.
Reações do Mercado e Desempenho das Ações
Nesta segunda-feira, 13, as ações da LVMH e da Kering, dona da Gucci, negociadas nos EUA, registraram queda. As vendas globais trimestrais da LVMH, que detém marcas como Louis Vuitton, Dior, joias Bulgari e Hennessy, cresceram 1% quando ajustadas às variações cambiais.
Esse aumento ficou abaixo das projeções dos analistas, que esperavam um crescimento de 1,5%, segundo o consenso da Visible Alpha. Cecile Cabanis, diretora financeira do grupo, observou que o cenário não melhorou desde a grave interrupção das atividades em centros comerciais no início do conflito.
Baixa Demanda e Impacto Regional
“O que vemos hoje é que a demanda continua muito baixa”, declarou Cabanis. A Reuters noticiou que as vendas em shoppings de Dubai caíram até 50% após os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As vendas de veículos de luxo também sentem os efeitos. Cabanis detalhou que o fluxo de clientes em shoppings de uma área que representa 6% do faturamento da LVMH caiu inicialmente entre 30% e 70%, usando 50% como média.
Desafios no Mercado de Luxo
“O Oriente Médio é um mercado bastante lucrativo. Se você perder 1 euro em vendas, provavelmente perderá um pouco mais na margem de lucro”, alertou ela. O conflito também afetou a Europa, onde a LVMH apontou uma queda de 3% nas vendas.
Laurent Chaudeurge, membro do comitê de investimentos da gestora de ativos BDL, comentou sobre a dificuldade do setor, mencionando que já foram vivenciados dois ou três anos de crise no luxo, e que o Oriente Médio atinge o setor justamente quando se esperava uma recuperação.
Perspectivas Futuras e Desempenho por Divisão
Apesar dos desafios, a maioria dos analistas ainda projeta que 2026 será um ano de crescimento para o setor de luxo, incluindo a LVMH, após um período de estagnação superior a dois anos. O grupo informou que a maioria das regiões e categorias, inclusive a China, mostraram melhorias, desconsiderando o impacto da guerra.
As ações do conglomerado, administrado por Bernard Arnault, caíram 26% desde o início do ano, representando um dos piores desempenhos entre as grandes corporações europeias. A divisão de moda e couro, que representou cerca de 80% dos lucros operacionais no ano anterior, viu suas vendas caírem 2% organicamente, abaixo da expectativa de queda de 1% dos analistas.
Pontos Positivos e Preocupações Econômicas
A demanda nos Estados Unidos foi o ponto mais positivo, com um crescimento orgânico de 3% nas vendas, segundo a empresa, indicando que o consumo no país não foi afetado pela guerra até o momento. Dados de cartões de crédito citados por analistas do Citi mostraram aumento nos gastos com artigos de luxo.
Contudo, uma pesquisa da Universidade de Michigan, divulgada na sexta-feira, 10, aponta que os consumidores americanos antecipam um aumento da inflação nos próximos 12 meses, adicionando uma camada de cautela ao cenário de consumo de luxo.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


