Gucci em Florença: Kering revela plano ambicioso para reverter queda de vendas?

Kering e a Reestruturação da Gucci em Florença
A Gucci enfrenta um desafio significativo, acumulando um tombo de vendas orgânicas que se estende por onze trimestres. Essa marca, historicamente o ativo mais valioso do grupo francês Kering, tornou-se o principal ponto de preocupação da companhia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A grife é, inclusive, o foco central de um plano de reestruturação apresentado nesta quinta-feira, 16, em Florença, durante o Capital Markets Day da Kering, conforme informações obtidas pela CNBC.
Metas Ambiciosas para o Futuro da Marca
O programa, apelidado internamente de “”, visa objetivos ambiciosos: mais do que dobrar a margem operacional recorrente atual, que é de 11,1%, e elevar o retorno sobre capital empregado para além de 20% no médio prazo. Tudo isso enquanto o grupo tenta convencer o mercado de sua capacidade de reverter o quadro em um setor ainda abalado pelos efeitos da pandemia de COVID-19.
Ações Estratégicas para a Gucci
O mercado, contudo, não pareceu totalmente convencido, especialmente no curto prazo, visto que as ações da Kering caíram 3,68% na bolsa de Paris nesta quinta-feira.
Para reverter o cenário, o plano detalha a reformulação ou realocação de dois terços da rede de lojas da marca. Há também a previsão de reduzir o espaço físico de vendas em 20% e diminuir o número de pontos de venda em um terço. Essas medidas visam dobrar a receita gerada por cada loja até o ano de 2030.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Foco em Couro e Redução de Estoques
Adicionalmente, a companhia planeja cortar 1 bilhão de euros em estoques nos próximos 12 meses. A categoria de bolsas e artigos de couro, que atualmente representa 10% do faturamento da Gucci, deve alcançar 20% até o final da década.
Visão do Novo Liderança e Desafios do Setor de Luxo
Luca de Meo, o presidente-executivo da Kering, que assumiu o cargo há sete meses, enfatizou que “um modelo que funcionou por uma década não é mais eficaz para nós”. Para ele, o caminho passa necessariamente por “ganhar participação de mercado, restaurar o poder de precificação e executar melhor do que os concorrentes”.
O setor de luxo como um todo atravessa um ciclo difícil. A demanda disparou durante a pandemia, levando as marcas a aumentos de preços sucessivos. Quando o efeito passou, uma parcela dos consumidores não retornou ao consumo anterior. A China, antes motor de crescimento, também perdeu força.
Redefinindo a Identidade da Gucci
De Meo reconheceu que a grife “perdeu um pouco de seu brilho” e que recuperá-lo exige uma mudança de postura. A proposta central é transformar a Gucci em algo “inconfundível”, segundo o CEO. Analistas do Citi apontaram que o cerne da questão não é a validade do plano, mas o tempo que a Gucci levará para retomar um crescimento consistente em meio a ventos contrários no setor.
Diversificação e Alívio do Balanço da Kering
Outro ponto crucial do plano é diminuir a dependência da Gucci. Com um portfólio que conta com mais de dez marcas, a Kering busca que cada grife tenha seu peso e identidade próprios. A Saint Laurent deve focar no segmento masculino e mirar o mercado asiático, enquanto a Bottega Veneta foi posicionada como o “emblema do luxo profundo” do grupo.
A Balenciaga, por sua vez, terá o papel de atrair o consumidor mais jovem.
Antes deste Capital Markets Day, a Kering já havia tomado uma medida importante para fortalecer seu balanço: em março, vendeu sua divisão de beleza para a L’Oréal por 4 bilhões de euros.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


