Goldman Sachs reduz corte da Selic e alerta: o que esperar do Copom em 2026?

Goldman Sachs Reduz Projeção de Corte da Selic e Alerta para Prudência Monetária
O Goldman Sachs ajustou sua previsão sobre o corte da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O banco americano agora antecipa uma queda de apenas 25 pontos-base para a Selic em abril, um valor menor que a estimativa anterior, que previa uma redução de 50 pontos-base.
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Essa revisão na projeção foi motivada pela deterioração observada no cenário inflacionário brasileiro. As reuniões do Copom estão programadas para as próximas terças e quartas-feiras, nos dias 28 e 29.
Visão de Prudência e Cenário Global Incerto
Segundo os analistas do Goldman Sachs, o ambiente econômico atual exige que a autoridade monetária adote uma postura de “prudência”. O relatório do banco aponta expectativas de que a Selic alcance 13% até o final de 2026 e 10,75% até o final de 2027.
A Sugestão de Interrupção dos Cortes
O Goldman destaca que, embora o ciclo de flexibilização monetária ainda esteja em andamento, a estratégia mais cautelosa seria até mesmo suspender temporariamente os cortes. Os analistas argumentam que “a abordagem mais prudente seria interromper o ciclo de normalização das taxas para obter maior visibilidade sobre os choques positivos de demanda e negativos de oferta em curso”.
Pressões Inflacionárias e Expectativas de Mercado
Os apontamentos do Goldman acompanham o aumento da preocupação com as expectativas de inflação no Brasil. Em um relatório divulgado na segunda-feira, dia 20, o mercado revisou para alta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pela sexta semana consecutiva.
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A estimativa atual aponta que a taxa ficará em 4,80%, um aumento em relação aos 4,71% registrados na semana anterior. Além disso, o mercado elevou a projeção de inflação para 2027 para 3,99%, mantendo a expectativa para 2028 em 3,60%.
Divergências nas Projeções de Juros
O Focus também registrou uma elevação de 0,50 ponto percentual na projeção da Selic para o ano, projetando que os juros encerrarão em 13% até o final de 2026, mesmo contrariando a expectativa do banco americano.
Apesar da recomendação de cautela, o Goldman acredita que o Copom deve optar, por enquanto, por desacelerar o ritmo de afrouxamento. Contudo, a instituição ressalta que a inflação no país permanece alta e persistente.
Desafios Estruturais e Perda de Âncoras Inflacionárias
O cenário se tornou mais complexo devido ao forte choque nos preços do petróleo e do gás, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. Os analistas alertam que a inflação brasileira está elevada há muito tempo, e esse novo fator adiciona uma camada de dificuldade.
Um ponto de grande preocupação é o enfraquecimento das chamadas “âncoras” inflacionárias. Dados de março e abril sugerem que os preços de alimentos e combustíveis, que eram as principais referências, estão perdendo força.
Inflação Difusa e Pressão de Demanda
O banco observa, ainda, uma aceleração nos preços de bens industriais e a manutenção de níveis elevados na inflação de serviços, que oscila entre 5% e 7%. O índice de difusão do IPCA subiu para 67,4% em março, indicando que a inflação está mais disseminada.
A projeção mediana para a inflação de 2026 subiu para 4,80%, ultrapassando o teto da meta de 3%. O Goldman aponta um conflito entre choques negativos de oferta, como a alta energética, e um impulso positivo de demanda, vindo de estímulos fiscais e de crédito.
Conclusão: Calibração Cautelosa do Copom
Dada a postura expansionista da autoridade fiscal antes das eleições de outubro, a política monetária é vista como a única âncora macroeconômica confiável no momento. O Goldman Sachs conclui que o Copom deve manter uma calibração cautelosa, aguardando que a trajetória da inflação forneça um sinal claro para acelerar os cortes ou, inversamente, um sinal vermelho para parar totalmente o ciclo de flexibilização.
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