Gabinete de Segurança do México aponta irregularidades na morte de agentes da CIA em Chihuahua

Gabinete de Segurança do México aponta irregularidades na morte de agentes da CIA em Chihuahua
O Gabinete de Segurança do México comunicou neste sábado que os dois agentes da CIA, falecidos após uma operação contra grupos ligados ao tráfico de drogas no estado de Chihuahua, não possuíam autorização legal para atuar no território mexicano.
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A declaração surge dias após a presidente determinar uma investigação e classificar a presença de agentes estrangeiros como uma violação dos protocolos de segurança nacional.
Segundo um comunicado oficial, um dos cidadãos americanos havia entrado no México apenas como visitante, uma condição que impede o exercício de qualquer atividade remunerada. O segundo indivíduo utilizou passaporte diplomático ao cruzar a fronteira.
As autoridades mexicanas também esclareceram que nem o Gabinete de Segurança nem o Ministério das Relações Exteriores tinham conhecimento prévio sobre os planos ou a atuação de agentes estrangeiros no país.
Detalhes do Acidente e Implicações Legais
O incidente envolveu quatro vítimas fatais em um acidente de carro ocorrido no último fim de semana. O acidente aconteceu durante uma operação destinada a desmantelar laboratórios clandestinos de drogas. Além dos dois homens identificados como membros da agência americana, havia dois policiais mexicanos no veículo envolvido.
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Relatos indicam que o carro saiu da pista, caiu em um barranco e sofreu uma explosão. Este episódio reacendeu o debate sobre a Lei de Segurança Nacional, reformada em 2020 durante a gestão de Andrés Manuel López Obrador, que restringe severamente a atuação de agentes estrangeiros no país.
Contexto Político e Investigação
Em 2025, o Congresso Nacional aprovou alterações visando endurecer as punições relacionadas a casos de espionagem, em um cenário de pressão do então presidente para intensificar o combate aos cartéis. Após a confirmação de que as vítimas eram cidadãos americanos, as autoridades apresentaram versões divergentes sobre os fatos.
O embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, afirmou inicialmente que os americanos seriam funcionários da embaixada prestando apoio às ações locais contra os cartéis. Contudo, o Departamento de Estado e a CIA optaram por não comentar o caso publicamente.
Posicionamentos Oficiais e Soberania Mexicana
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, expressou “compaixão” às autoridades mexicanas, sem confirmar a identidade dos agentes, mas mencionando os esforços dos EUA no combate ao narcotráfico. Em um novo pronunciamento, o Gabinete de Segurança manifestou pesar pelas mortes e solidariedade às famílias, mas reforçou que a legislação mexicana proíbe a participação direta de agentes estrangeiros em operações.
Segundo o órgão, a cooperação em segurança deve ocorrer estritamente por meio da troca de informações, coordenação institucional e apoio técnico. A governadora de Chihuahua, María Eugenia Campos Galván, anunciou a criação de uma unidade especializada para investigar o desmantelamento do laboratório e os falecimentos.
Além disso, Sheinbaum determinou que a secretária de Governo, Rosa Icela Rodríguez, fosse enviada ao estado para apurar se houve autorização de autoridades locais.
Tensão nas Relações Bilaterais
O ocorrido insere-se em um clima de tensão nas relações entre México e Estados Unidos. Trump tem defendido uma maior intervenção regional para combater o crime organizado, sugerindo operações conjuntas em outros países latino-americanos. Por outro lado, a presidente mexicana tem reiterado seu posicionamento contra ações estrangeiras em seu território.
“Não aceitamos participação em campo, em operações. Isso está muito claro”, declarou Sheinbaum. “Em todos os casos dissemos ao presidente Trump que isso não é necessário. A cooperação tem ocorrido de forma adequada e qualquer outro cenário violaria nossa Constituição e nossas leis.
Somos rigorosos na defesa da soberania nacional.”
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