Fundos de Ações e Multimercados perdem para benchmarks em 1º Trimestre de 2026? Veja!

Fundos de Ações e Multimercados Terminam o 1º Trimestre de 2026 Abaixo dos Benchmarks
Os fundos de ações e multimercados encerraram o primeiro trimestre de 2026 com resultados majoritariamente inferiores aos seus respectivos índices de mercado. Este desempenho ocorreu em um contexto marcado por grande volatilidade global, tensões geopolíticas e um aumento nos pedidos de recuperação extrajudicial de empresas, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
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Apesar de alguns pontos positivos em certas categorias, os retornos não conseguiram acompanhar os principais indicadores, como o Ibovespa e o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Além disso, os resgates voltaram a ganhar força durante o mês de março, sinalizando um ambiente ainda desafiador para o setor.
Desempenho dos Fundos de Ações e Multimercados
Na categoria de fundos de ações, foi registrada a maior rentabilidade média do período, atingindo 10,7%. Contudo, esse valor ainda ficou aquém do avanço do Ibovespa, que subiu 16,3% no trimestre. O segmento de “ações índice ativo” se destacou com alta de 13,9%, o melhor resultado entre os tipos, mas também abaixo do índice de referência.
Análise dos Fluxos e Patrimônio
Os fundos de “ações livre” apresentaram retorno de 6,4%, enquanto os de “ações investimento no exterior” permaneceram quase estagnados, com um ganho modesto de apenas 0,2%. Embora a rentabilidade fosse relativamente alta comparada ao histórico da classe, os fluxos de capital mostraram sinais de pressão.
Os fundos de ações acumularam resgates líquidos de R$ 6,4 bilhões até março. Este valor, embora menos negativo que os R$ 32,4 bilhões retirados no mesmo período de 2025, indica cautela do investidor. Em contrapartida, o patrimônio líquido da classe cresceu 25,9% em 12 meses, totalizando R$ 709,5 bilhões em fevereiro de 2026, impulsionado pelo aumento de contas de pessoas físicas.
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O Cenário dos Multimercados e o Desafio de Março
O setor de multimercados também refletiu a deterioração de algumas estratégias no trimestre, com uma rentabilidade média de 1,7%, em comparação com os 3,4% do período anterior. Os fundos “trading” foram os mais elogiados, com retorno de 2,7%, mas ainda assim abaixo do benchmark de curto prazo.
A captação da classe multimercados foi positiva no trimestre, com entrada líquida de R$ 11,2 bilhões. No entanto, uma concentração de cerca de R$ 11 bilhões desse total em um único fundo de “multimercado investimento no exterior” chamou atenção.
O patrimônio líquido total da classe manteve-se estável em R$ 1,5 trilhão.
Março: Mês de Maior Desafio
A Anbima apontou o mês de março como particularmente desafiador para ambas as categorias. A combinação de volatilidade nos mercados globais e episódios de estresse corporativo prejudicou o desempenho e intensificou os resgates, especialmente em estratégias mais sensíveis ao risco.
Pedro Rudge, diretor da Anbima, explicou que o choque inicial de volatilidade foi o mais impactante, pois muitos fundos estavam posicionados com base em expectativas de queda de juros. Ele ressaltou que o aumento inesperado do preço do petróleo foi o maior choque visto em março.
Perspectivas Futuras e Diferenciação de Gestores
Apesar do cenário incerto, Rudge avalia que o pior momento de ajuste pode já ter passado, embora a volatilidade permaneça. Ele observou que o impacto tende a diminuir, já que muitos gestores ajustaram suas exposições. Contudo, o ambiente de incerteza continuará gerando dispersão nos retornos.
O diretor também esclareceu que o desempenho abaixo do CDI em certas classes, como a de renda fixa, não é necessariamente uma anomalia estrutural, pois há custos operacionais envolvidos. Ele concluiu que o momento atual exige maior pressão competitiva e diferenciação entre os gestores para reverter a tendência de saídas de capital.
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