Estados Unidos impõem tarifa de 25% em exportações brasileiras

A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre exportaçõesbrasileiras tem potencial para impactar a economia brasileira, mas especialistas preveem efeitos limitados.
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Segundo análises, a manutenção da lista de produtos isentos e a baixa participação do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil atenuam os impactos macroeconômicos de choques comerciais.
Análise do Impacto Setorial
O analista da G 5 Partners, Gabriel Barros, destaca que os efeitos das tarifas adicionais serão altamente dependentes do setor e do produto específico, com margens industriais se achatarando em setores como madeira e calçados.
Empresas podem redirecionar exportações para outros mercados, limitando a compressão das margens, mas produtos com pauta exportadora concentrada, como o ferro – gusa, enfrentam dificuldades de substituição de destino.
Nesses casos, a empresa pode aumentar a produção interna, pressionando os preços para baixo ou exportar para mercados menos favoráveis.
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Repercussões Econômicas e Inflação
O economista Felippe Serigati, do FGV Agro, considera improvável um efeito relevante sobre a inflação de alimentos no Brasil, ressaltando que qualquer reflexo será “bastante limitado” e “impossível de ser isolado” de outros fatores como a Guerra no Oriente Médio e El Niño.
Serigati enfatiza que a conjuntura do mercado de alimentos é marcada por múltiplos choques simultâneos, tornando difícil atribuir oscilações de preços exclusivamente às tarifas americanas.
A interrupção da produção de fertilizantes fosfatados, devido à falta de enxofre, e o elevado custo do crédito rural representam maiores preocupações para o pesquisador.
Oscilações do câmbio, influenciadas pelo ambiente eleitoral ou fatores externos, tendem a exercer um impacto maior sobre os preços internos do que as tarifas americanas.
Concentração de Prejuízos e Narrativa Política
Gabriel Barros observa que o tarifaço incomoda mais os setores atingidos do que o mercado interno, e que o dano econômico agregado tende a ser “bastante limitado em relação ao cenário que já existia com a tarifa de 10%”.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, embora considerado estruturalmente positivo, tem produzido efeitos modestos sobre as exportações brasileiras.
Barros ressalta que grandes anúncios nem sempre se traduzem imediatamente em mudanças significativas no comércio.
Conclusão
Os maiores prejuízos da medida tendem a ficar concentrados nas cadeias diretamente afetadas pelas tarifas, e não sobre o consumidor brasileiro. O impacto, se ocorrer, será marginal e difícil de identificar diante de tantos outros choques que influenciam os preços dos alimentos.
Autor(a):
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