Endividamento no Brasil: Especialistas alertam sobre risco estrutural e futuro até 2026

Especialistas alertam: endividamento no Brasil é problema estrutural! O que Jefferson Bittencourt revela sobre o desalinhamento entre BC e política fiscal?

16/04/2026 14:33

3 min

Endividamento no Brasil: Especialistas alertam sobre risco estrutural e futuro até 2026
(Imagem de reprodução da internet).

Endividamento no Brasil: Especialistas Alertam para Problema Estrutural

O nível de endividamento dos brasileiros atingiu patamares alarmantes, colocando tanto o governo federal quanto o sistema financeiro em estado de alerta. Segundo especialistas, a questão possui raízes estruturais, o que indica que soluções rápidas dificilmente trarão melhorias significativas para a economia do país.

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Em entrevista concedida à CNN Money nesta quinta-feira, dia 16, Jefferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, apontou que o Brasil está preso em um ciclo vicioso. Ele observou que, enquanto o Banco Central (BC) mantém uma postura conservadora visando controlar a inflação próxima à meta, a política fiscal segue um rumo totalmente desalinhado com essa preocupação.

Desconexão entre Política Monetária e Fiscal

Bittencourt detalhou a divergência de focos. “A política monetária percebe claramente as pressões em termos de atividade e os choques, mantendo uma postura bastante conservadora até agora. Contudo, o foco da política fiscal tem estado totalmente desconectado dessa preocupação da política monetária”, afirmou o especialista.

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Medidas Governamentais e Limitações

Para tentar controlar o endividamento crescente, o governo tem utilizado a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar dívidas. No entanto, essa ação é vista apenas como um paliativo, sem resolver o problema fundamental do cenário.

O especialista explicou que o endereçamento dessa questão tem sido muito lento. “Como temos uma percepção de dívida crescente, isso acaba adicionando um prêmio de risco à taxa de juros“, detalhou Bittencourt.

Projeções de Dívida Pública e Risco de Mercado

De acordo com Bittencourt, o Brasil começou 2023 com uma dívida em torno de 71,7% do PIB e projeta que, até o final de 2026, esse percentual ultrapasse 83% do PIB. Esse cenário eleva o spread de risco para a própria dívida, que serve de referência para o mercado.

O analista ressaltou que, apesar do programa Desenrola, lançado para ajustar dívidas de um grupo populacional, foram criados diversos incentivos para novas contratações de crédito. “As pessoas voltaram a se endividar com uma taxa de juros que não consegue cair muito por conta da situação fiscal, seja no longo prazo, falando de desequilíbrios fiscais, seja no curto prazo pelos próprios estímulos”, alertou.

O Perigo do Risco Moral

Um ponto de atenção levantado foi o risco moral gerado por programas constantes de renegociação de dívidas. “Se, de tempos em tempos, aparece um programa de renegociação de dívida, onde eu posso renegociar minha dívida em condições melhores, há o risco de incentivar as pessoas a não serem tão adimplentes”, alertou o especialista.

Necessidade de Ajuste Fiscal Credível

Bittencourt concluiu que, sem um ajuste fiscal mais rápido para conter o crescimento da dívida, será extremamente difícil apoiar empresas e cidadãos a obterem crédito em condições mais favoráveis. Ele comparou o patamar atual dos juros reais ao período anterior ao impeachment, indicando que há espaço para a situação piorar se a questão fiscal não for tratada de forma crível nos próximos anos.

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