Empresas em alerta: NR-1 exige foco em riscos psicossociais e o que esperar em 2026?

Empresas Sentem-se Despreparadas para Fiscalização da Nova NR-1
Com menos de um mês do início da fiscalização mais rigorosa da norma, prevista para vigorar em 26 de maio, surge uma preocupação: as empresas ainda não se sentem preparadas e demonstram não ter compreendido totalmente o significado prático da regulamentação.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esse alerta foi reforçado durante a “Masterclass: Liderança adaptativa e NR-1”, promovida pela comunidade RH Modo Atleta, com o apoio de empresas como Flash, Saint Paul, TotalPass e TOTVS.
Debate Revela Descompasso entre Regulação e Maturidade Corporativa
Durante o painel, os executivos Isadora Gabriel, CHRO da Flash; Fábio Medeiros, sócio do Lobo de Rizzo Advogados; e José Maciel Filho, Head de Saúde Ocupacional do Mercado Livre, discutiram um dado preocupante: apenas 18% dos profissionais de RH afirmam conhecer profundamente a norma.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Curiosamente, metade das empresas participantes admitiu que o adiamento da implementação foi crucial para ganhar tempo de preparação. Esse cenário expõe um grande descompasso entre a urgência regulatória e o nível de preparo das organizações para lidar com os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
O Foco da NR-1: Além da Saúde Mental
Apesar de ser frequentemente associada à saúde mental, a NR-1 não constitui uma lei nova sobre o tema. Ela estabelece as bases para todas as demais regras de segurança e saúde ocupacional no Brasil, mas com um novo e importante foco.
Mudança Estrutural no Gerenciamento de Riscos
Para Fábio Medeiros, sócio do Lobo de Rizzo Advogados, a alteração é estrutural. Ele explica que, embora a NR-1 sempre trate do gerenciamento de riscos ocupacionais, o que muda é a inclusão formal dos riscos psicossociais nesse processo.
Na prática, isso impõe às empresas a obrigação de identificar, avaliar e monitorar fatores como estresse, sobrecarga e pressão excessiva, e não apenas os riscos físicos ou biológicos tradicionais.
O Desafio Pós-Diagnóstico: A Prova de Ação
Se antes o foco estava apenas na identificação de riscos convencionais, a cobrança agora exige um nível de sofisticação muito maior. José Maciel Filho, do Mercado Livre, aponta que o verdadeiro desafio começa após o diagnóstico.
Ele enfatiza que o Ministério não se contentará apenas com o mapeamento. O que será cobrado são as ações tomadas com base nos dados coletados e os resultados obtidos com essas intervenções. Indicadores como absenteísmo e turnover ganharão peso como evidências concretas.
Integração de Áreas e Liderança no Centro da Mudança
A nova NR-1 força um redesenho de papéis internos. A agenda, que antes era restrita à segurança do trabalho, migra para o RH, exigindo uma atuação conjunta com o setor jurídico e, fundamentalmente, com a liderança.
Medeiros reforça que é impossível tratar o tema de forma isolada, sendo necessária uma quebra de silos e integração entre departamentos. O risco de implementar soluções superficiais, apenas para cumprir formalidades, é alto e pode gerar problemas jurídicos.
A NR-1 como Oportunidade de Transformação Gerencial
Apesar da pressão regulatória, há um consenso entre os especialistas de que a NR-1 pode ser uma grande alavanca para transformar a gestão de pessoas. É um momento de escolha: ignorar ou usar para avançar na agenda de saúde mental.
As empresas mais preparadas já estão estruturando programas baseados em três pilares: cuidado com o indivíduo, capacitação da liderança e melhoria da cultura organizacional. O diferencial será a capacidade de transformar dados em ações efetivas.
Em resumo, a norma não cria um problema novo, mas sim expõe um desafio antigo. A diferença agora é que as organizações terão que comprovar, com dados, que estão agindo ativamente sobre os riscos psicossociais.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


