IA na saúde: 54% dos brasileiros usam a tecnologia? Veja os riscos!

IA na saúde: 54% dos brasileiros usaram a tecnologia! Descubra o que a pesquisa de Olá Doutor em 2026 revela sobre o uso e os riscos.

16/04/2026 15:10

3 min

IA na saúde: 54% dos brasileiros usam a tecnologia? Veja os riscos!
(Imagem de reprodução da internet).

Uso Crescente de Inteligência Artificial na Busca por Saúde

Mais da metade dos brasileiros, especificamente 54%, utilizaram inteligência artificial (IA) para sanar dúvidas de saúde no último ano. Este dado foi revelado em um estudo conduzido pela plataforma Olá Doutor em 2026. A pesquisa envolveu 500 adultos de diversas regiões do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O levantamento aponta que o tema saúde é o segundo mais procurado em ferramentas como ChatGPT e Gemini, ficando atrás apenas de dúvidas sobre sintomas gerais. O perfil dos usuários identificados é composto majoritariamente por mulheres (74,5%, comparado a 66,2% dos homens), estudantes e pessoas com até 30 anos.

A IA como Parte da Consulta Nutricional

Entre quem usou IA para questões de saúde, quase metade (45,4%) relatou ter alterado hábitos alimentares ou sua rotina física após as “consultas” virtuais. Giovanna Hirata, nutricionista do Alta Diagnósticos, comenta que o padrão observado é mais comportamental do que de gênero.

“São pessoas que consomem muito conteúdo sobre saúde e chegam à consulta já bem informadas”, explica Hirata. As clínicas já incorporaram a IA como um elemento esperado nas consultas. Os pacientes chegam munidos de cálculos de calorias e sugestões de cardápios, baseados nessas ferramentas.

Riscos e Imprecisões dos Planos Gerados por IA

Tanto Hirata quanto Thays Pomini, nutricionista, apontam falhas nos planos criados por IA. Hirata destaca a falsa sensação de personalização, pois as respostas são generalistas e ignoram nuances clínicas e comportamentais.

Leia também

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Vejo planos com calorias muito baixas ou estratégias restritivas demais, e patologias importantes acabam sendo ignoradas ou simplificadas”, alerta ela. Um exemplo comum são pacientes com doenças inflamatórias que seguem dietas anti-inflamatórias excessivamente restritivas, causando ansiedade.

O Perigo da Confiança Excessiva

Pomini cita casos de dietas hipocalóricas geradas pela IA, focadas apenas em emagrecimento rápido, sem considerar a saúde metabólica. Ela ressalta que o maior risco não é usar a tecnologia, mas confiar nela sem um senso crítico apurado.

Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition mostrou que planos alimentares de IA para adolescentes com sobrepeso ou obesidade continham, em média, 700 calorias a menos que o recomendado por nutricionistas humanos, com desequilíbrios em proteínas, gorduras e carboidratos.

Quando a Tecnologia Apoia o Cuidado Nutricional

Para as nutricionistas, a IA é útil quando atua como apoio, e não como substituta do acompanhamento profissional. Ela pode ajudar na organização de listas de compras, ideias de receitas ou dúvidas pontuais sobre preparos.

“Tudo isso pode facilitar a rotina e incentivar hábitos mais saudáveis”, afirma Hirata. O problema surge quando ela é usada para diagnóstico ou prescrição, áreas que exigem avaliação técnica e individualizada.

Inovações Tecnológicas no Setor

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), da USP, desenvolveram uma ferramenta computacional baseada em IA para criar planos alimentares personalizados. O sistema considera a composição química, sazonalidade e preferências do paciente, além de usar a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos.

Kristy Soraya Coelho, pesquisadora do FoRC, enfatiza que, embora a ferramenta otimize o trabalho do nutricionista, a decisão final sobre a dieta sempre deve ser do profissional.

A Integração da IA na Prática Clínica

As profissionais concordam que a IA já faz parte da rotina dos pacientes, e tentar combatê-la não é produtivo. O caminho mais eficaz é acolher o interesse do paciente e usar isso como ponto de partida para a educação nutricional.

Há um consenso entre os especialistas de que é fundamental educar o paciente a diferenciar informação de prescrição, sem desvalorizar sua iniciativa. Isso, na verdade, reposiciona o nutricionista como o responsável máximo pela individualização do cuidado.

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!