Economistas questionam metas do PLDO 2027: o que o Governo ignora?

Ceticismo de Economistas Questiona Projeções Orçamentárias do Governo
A percepção de que as metas e projeções estabelecidas pelo governo no PLDO 2027 (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) são “pouco críveis” ecoa entre os economistas ouvidos pelo CNN Money. O texto divulgado na quarta-feira, dia 15, manteve para o próximo ano um valor equivalente a R$ 73,2 bilhões.
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Análise das Contas Públicas e Superávit Necessário
Em seguida, a projeção eleva os resultados das contas públicas para até 1,5% do PIB a partir de 2030. Contudo, especialistas apontam que a estabilidade da dívida pública exige um superávit mínimo de 2% do PIB.
Dificuldades para Alcançar as Metas Propostas
Segundo nota da Warren Rena, assinada por Felipe Salto, Josué Pellegrini e Daniel Ferraz, essas metas são consideradas pouco críveis sem a implementação de ajustes fiscais estruturais. Os analistas detalham que o resultado esperado desconsidera 0,45% do PIB (ou R$ 65,7 bilhões) em outras despesas.
Isso faria com que o superávit efetivo fosse de apenas 0,05% do PIB (R$ 8 bilhões). Os economistas questionam que o cumprimento da meta depende da exclusão de 0,45% do PIB em despesas primárias.
Premissas Econômicas e Credibilidade das Projeções
Além disso, o resultado projetado se baseia na expectativa de que o PIB cresça 2,56% no ano seguinte, acelerando em relação aos 2,33% previstos para 2026, e que a inflação feche um pouco acima dos 3%.
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Visão de Consultores Econômicos
Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP, pondera que, embora seja positivo manter a meta em 0,5% do PIB, as premissas estão distantes da realidade. Ela alerta que isso pode fazer o governo perder credibilidade.
O mercado, por sua vez, projeta um crescimento de 1,8% para 2027, mantendo a estimativa do boletim Focus do BC. A mediana dos agentes econômicos aponta um déficit de 0,4% do PIB.
Desafios Fiscais e Necessidade de Reformas Estruturais
O governo conta com o aumento das receitas e a redução das despesas obrigatórias como proporção do PIB. Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, sugere que há uma expectativa de aumento da base tributária, o que é politicamente difícil.
Ela ressalta que, para um aumento do superávit primário na casa de 1,5% do PIB, seria necessário um ajuste forte, exigindo reformas, especialmente nas áreas assistenciais e previdenciárias.
Conclusão sobre a Viabilidade das Metas
Latif conclui que a hipótese de reduzir despesas obrigatórias como proporção do PIB só se sustenta com medidas de contenção e reformas constitucionais. Ela finaliza afirmando que, embora não seja possível manter o *status quo*, as projeções atuais são, na prática, pouco críveis.
Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou ter recebido bem a análise e enfatizou que o país tem superado as estimativas de mercado em anos recentes. Ele garantiu que o governo trabalha com um orçamento que prioriza compromissos pragmáticos, e não narrativas ideológicas.
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