Economista: Fim da Escala 6×1 Não Aumentará Produtividade

Economista Avalia que Fim da Escala 6×1 Não Garantirá Produtividade
O economista Felipe Tavares, da BGC Liquidez, avaliou que a proposta de fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, em debate no Congresso Nacional, não deve produzir os ganhos de produtividade prometidos. A declaração foi feita em entrevista ao Hora H desta quinta-feira (11).
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Dificuldade Histórica do Brasil em Aumentar Produtividade
Tavares ressaltou que o Brasil enfrenta dificuldades históricas em obter ganhos de produtividade claros na economia, especialmente nos últimos 40 a 50 anos. “A gente tem aí 40, 50 anos que tem dificuldade para achar esses ganhos de produtividade”, afirmou.
Argumento Matemático e Realidade
O economista explicou que o argumento favorável à medida se baseia em um raciocínio matemático: se a mesma quantidade de produtos for gerada com menos pessoas, a produtividade aumenta. No entanto, ele adverte que para que isso ocorra, é necessário manter o volume de produção constante sem o aumento do número de trabalhadores.
Impacto nos Custos e Inflação
“A probabilidade de você ter ganho de produtividade é muito pequena“, disse Tavares. Ele alertou que o cenário mais provável é que as empresas precisem contratar mais trabalhadores para manter o mesmo nível de produção, gerando um desarranjo completo de estrutura de custos do empresariado, com pressão sobre preços e desarranjo inflacionário.
Setores Mais Vulneráveis
O economista destacou que os setores mais afetados seriam os de serviços, como comércio, hotelaria e shoppings, que funcionam sete dias por semana em jornadas extensas. Nesses casos, a necessidade de cobrir turnos pode exigir a contratação de mais funcionários do que o esperado. “Se o cara não consegue repassar isso para o preço final, ele tem a ameaça de ter que fechar as portas“, afirmou.
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Escassez de Mão de Obra e Consequências Sociais
Tavares apontou que a escassez de mão de obra em setores como construção civil também pode ser um obstáculo. “São várias atividades que sofrem para achar pessoas na forma como está posta a jornada de trabalho”, disse. Além disso, o economista alertou para possíveis consequências sociais negativas da medida, como o efeito inflacionário combinado à eventual deteriorar o poder de compra das famílias, deixando-as em situação pior do que a atual.
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