Cuju: Como a IA mapeia talentos do futebol brasileiro com vídeos de celular?

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16/04/2026 14:04

3 min

Cuju: Como a IA mapeia talentos do futebol brasileiro com vídeos de celular?
(Imagem de reprodução da internet).

Tecnologia e Descoberta de Talentos no Futebol Brasileiro

O Brasil é reconhecido mundialmente pela formação de grandes nomes no futebol, exportando talentos para diversas ligas. Contudo, em um país de dimensões continentais, a identificação desses jovens atletas ainda depende muito de fatores como acesso, localização e, muitas vezes, pura sorte.

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Nesse cenário, aplicativos que mapeiam potenciais talentos surgem como um “ecossistema” ideal para otimizar a busca. Um exemplo notável é o Cuju, ferramenta desenvolvida na Alemanha que avalia jogadores utilizando apenas vídeos gravados por celulares.

A Criação e Evolução do Aplicativo Cuju

A Rogon Technologies GmbH, empresa responsável pelo Cuju, foi fundada em 2019 por Roger Wittmann. Ele trazia vasta experiência com atletas que transitavam entre o Brasil e a Europa, e estava ciente das limitações do método tradicional de *scouting*.

Essa percepção deu origem à ideia de incorporar tecnologia para ampliar o alcance da observação esportiva. O projeto ganhou tração significativa em 2022, marcando o início de suas operações no Brasil.

Influência e Adoção no Futebol Nacional

A iniciativa conta com o apoio de figuras proeminentes do futebol profissional, como o volante Luiz Gustavo, do São Paulo, que é um dos criadores, e um ex-goleiro da seleção brasileira, que atua como embaixador global da plataforma.

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Atualmente, o aplicativo já acumulou mais de 160 mil downloads no Brasil, consolidando sua presença no mercado.

Como Funciona o Cuju: Um Currículo Esportivo Digital

Na prática, o Cuju se estabelece como uma porta de entrada digital para jovens atletas. Após o cadastro, o jogador deve realizar uma série de testes padronizados que cobrem fundamentos técnicos essenciais, como passe, controle e finalização.

Os exercícios são gravados e enviados diretamente pela plataforma. É aí que a inteligência artificial entra em ação, empregando visão computacional e rastreamento de movimento para analisar o desempenho e gerar uma pontuação detalhada.

Análise de Dados e Eficiência no Scouting

O resultado final é um tipo de currículo esportivo robusto, fundamentado em dados concretos. Thaiany Klarmann, líder de marketing do Cuju, compara a ferramenta a um “grande gerador de *leads*, só que para o futebol”.

Ela esclarece que o aplicativo não visa substituir o processo tradicional de olheiros, mas sim atuar como um filtro inicial, conectando talentos a oportunidades de maneira muito mais eficiente. Segundo Klarmann, o Cuju “não substituiu o olheiro, mas pode ajudá-lo”.

Complementando a Observação Humana

Historicamente, clubes gastam recursos consideráveis com equipes de olheiros que percorrem vastas regiões buscando novos jogadores, um processo caro e sujeito a imprecisões. Com a triagem digital oferecida pelo Cuju, busca-se reduzir esse esforço, fornecendo aos clubes uma base de atletas já pré-avaliados.

Para validar a tecnologia fora do ambiente virtual, a empresa realizou eventos presenciais no Brasil, como o “A Jornada”, em 2025. O objetivo foi verificar se os dados gerados pela IA coincidiam com a avaliação de especialistas.

Resultados e Perspectivas Futuras

Os jogadores selecionados com base no aplicativo participaram de testes presenciais sem que os olheiros soubessem suas pontuações. Os resultados apontaram uma convergência entre as análises, o que, segundo Klarmann, reforça a ideia de que os dados complementam a observação tradicional.

Exemplos de sucesso incluem as jogadoras Marcela Geremias e Sophia Furtado, que passaram a integrar a base do Corinthians após participarem de iniciativas do Cuju. No masculino, jovens como Ryan Granja e Enrico Colossi foram incorporados ao Barra FC, em Santa Catarina, parceiro da plataforma.

Klarmann afirma que o foco atual da empresa é a ampliação da base de dados. A longo prazo, a meta é usar a tecnologia para transformar a lógica do mercado de olheiros e promover a democratização do acesso ao futebol no Brasil.

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