Crise energética no Oriente Médio: Zona do Euro mostra sinais de desaceleração?

Tensões energéticas e conflito com o Irã pressionam a economia global. A Zona do Euro mostra sinais de desaceleração preocupante? Saiba mais!

23/04/2026 12:48

3 min

Crise energética no Oriente Médio: Zona do Euro mostra sinais de desaceleração?
(Imagem de reprodução da internet).

Economia Global Sob Pressão Devido a Tensões Energéticas

A economia mundial enfrenta tensões crescentes, impulsionadas pelo choque energético gerado pelo conflito envolvendo o Irã. As fábricas estão lutando contra o aumento dos custos de produção, e até mesmo o setor de serviços mostra sinais de enfraquecimento, conforme apontaram pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, dia 23.

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Apesar de grande parte da economia global ter demonstrado resiliência em relação a interrupções de fornecimento de energia, os efeitos indiretos deste conflito de quase dois meses começam a elevar a inflação. Há também alertas crescentes sobre o fornecimento de alimentos e rebaixamentos nas projeções de crescimento econômico.

Sinais de Desaceleração na Zona do Euro

A semana foi marcada por leituras pessimistas sobre a confiança de empresários e consumidores, além de perspectivas cautelosas das principais empresas listadas em bolsa. Um conjunto de pesquisas de gerentes de compras da S&P Global (PMI), divulgado nesta quinta-feira, sugere que o cenário pode piorar.

Os dados apontaram os 21 países da zona do euro como particularmente afetados. O índice principal preliminar para a região caiu de 50,7 em março para 48,6 em abril, um valor abaixo de 50, o que sinaliza uma retração na atividade econômica.

Impacto nos Custos de Produção e Serviços

O índice de preços de insumos subiu de 68,9 para 76,9, evidenciando o salto nos custos operacionais das fábricas da zona do euro. Contudo, o índice que abrange o setor de serviços, que é dominante no bloco, declinou de 50,2 para 47,4, ficando abaixo da estimativa de 49,8 da pesquisa da Reuters.

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“A zona do euro está enfrentando problemas econômicos cada vez mais profundos devido à guerra no Oriente Médio”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global. Ele alertou que a escassez generalizada de suprimentos ameaça o crescimento e aumenta a pressão sobre os preços.

Variações Regionais e Setores de Destaque

De maneira inesperada, os PMIs registraram níveis de produção mais altos no Japão, Índia, Reino Unido e França. A S&P atribuiu isso a empresas que aceleraram a produção por receio de futuras interrupções na cadeia de suprimentos.

O Japão, por exemplo, registrou a expansão mais forte em sua produção fabril desde fevereiro de 2014, mesmo com o aumento mais acentuado dos custos de insumos desde o início de 2023. Esse “carregamento antecipado” pode espelhar o que ocorreu no ano passado, quando empresas anteciparam lançamentos devido a tarifas comerciais dos EUA.

Tecnologia e Finanças como Exceções

Alguns setores se destacaram positivamente. O aumento global no investimento em inteligência artificial continua beneficiando a atividade tecnológica, assim como a volatilidade dos mercados mundiais favorece as empresas financeiras.

A Coreia do Sul apresentou seu crescimento mais rápido em quase seis anos no último trimestre, impulsionada pelas exportações de chips. No setor financeiro, o London Stock Exchange Group previu um crescimento anual de receita no limite superior de sua faixa de previsão, após um trimestre recorde.

Perspectivas Futuras e Riscos Macroeconômicos

Sem um desfecho claro para o conflito iniciado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, o impacto futuro na economia global depende do tempo que o bloqueio na navegação pelo Estreito de Ormuz persistir.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) havia reduzido sua perspectiva de crescimento global para 3,1% para este ano, mas alertou que o cenário já aponta para algo mais adverso, incluindo uma recessão total se as interrupções persistirem.

Jamie Thompson, da Oxford Economics, apontou que análises de choques energéticos passados, como os da Guerra do Yom Kippur ou a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, mostram impactos inflacionários e de investimento que perduram por anos. Ele ressaltou o risco de um ajuste abrupto na confiança econômica.

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