Crise de fertilizantes ameaça 33,8 milhões de toneladas e a produção global de alimentos

Crise de fertilizantes ameaça 33,8 milhões de toneladas globais! Saiba como a guerra no Oriente Médio e Rússia/Ucrânia afetam a produção mundial

17/04/2026 08:20

3 min

Crise de fertilizantes ameaça 33,8 milhões de toneladas e a produção global de alimentos
(Imagem de reprodução da internet).

Crise Global de Fertilizantes Ameaça a Produção Agrícola Mundial

A combinação dos efeitos da guerra no Oriente Médio e do conflito entre Rússia e Ucrânia coloca em risco um volume significativo de 33,8 milhões de toneladas de fertilizantes básicos, essenciais para a nutrição da agricultura. Segundo Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, esse montante representa o consumo anual total do Brasil.

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Este cálculo abrange os volumes que seriam produzidos na Rússia e nos países do Oriente Médio. A produção russa em risco é estimada em 18,8 milhões de toneladas, sendo que 9,6 milhões são de amônia, 6 milhões de nitrato e 1,7 milhão de fosfato.

São componentes vitais do pacote “NPK” para a agricultura global.

Impactos Geopolíticos na Cadeia de Suprimentos

A crise de produção se manifesta desde o início de 2022, período em que eclodiu o conflito bélico entre Rússia e Ucrânia. Esse evento impactou diretamente a operação de fábricas russas, conforme apontado por Altieri.

O Cenário do Oriente Médio

As outras 15 milhões de toneladas em risco provêm do Oriente Médio, um cenário que se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, localizado entre Irã e Omã. Desse total, destacam-se 3,9 milhões de amônia, 2,1 milhões de ureia e 8 milhões de enxofre, matéria-prima para outros nutrientes.

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Juntos, esses locais são considerados o coração do fornecimento global. A Rússia é um dos maiores exportadores, controlando cerca de 40% do comércio mundial de nitrato de amônio e responsável por aproximadamente 15% da fabricação global.

Vulnerabilidade Regional

Por sua vez, na região do Oriente Médio, países como Irã, Omã, Catar, e a Arábia Saudita são fornecedores cruciais de nitrogenados. Qualquer instabilidade nestes pontos afeta diretamente a cadeia alimentar mundial.

A situação se intensificou com os problemas logísticos. Até quarta-feira, dia 15, 4 mil navios estavam represados no estratégico Estreito de Ormuz. Altieri alertou que, mesmo com uma possível abertura nos próximos dias, a estabilização logística será um processo lento.

Desafios Econômicos e Perspectivas para o Agronegócio

Além dos problemas de infraestrutura fabril, que continuam a atrapalhar o planejamento do agronegócio, há a volatilidade dos preços das commodities nas bolsas internacionais. Marcelo Altieri observou que a relação de troca para adquirir insumos piorou drasticamente desde 2022.

Ele exemplificou que, enquanto antes uma tonelada poderia ser trocada por 60 sacas de milho, agora são necessárias 135 sacas, mais que o dobro. O risco é considerado muito alto, visto que os insumos para a safra de verão brasileira precisam chegar nos próximos 90 dias.

Planejamento e Continuidade do Fornecimento

O plano de recebimento e distribuição do adubo global está sob pressão devido à logística em Ormuz. Os navios que hoje nos portos brasileiros vieram do Oriente Médio e da Ásia antes do conflito no Irã.

A Yara Brasil assegurou que conseguirá cumprir os contratos de fornecimento já estabelecidos. A empresa conta com a capilaridade de suas plantas em outras regiões, como Estados Unidos e Canadá. Além disso, manterá três centros fabris no Brasil – em Cubatão (SP), Rio Grande (RS) e Ponta Grossa (PR) – para comercializar fertilizantes de formulação mais complexa na safra 2026/27.

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