Concorrência Chinesa no Brasil: Otimismo Cauteloso e o Futuro da Localiza em 2026

Nova Fase da Concorrência Chinesa no Brasil: Otimismo Cauteloso para o Setor de Locação
A crescente presença das montadoras chinesas no mercado brasileiro voltou a chamar a atenção dos investidores. Contudo, segundo análises recentes, esta segunda fase de competição deve apresentar um cenário mais previsível e menos disruptivo em comparação com o início do movimento.
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Isso tende a mitigar o risco de revisões negativas nas projeções de lucro, especialmente para a Localiza, conforme apontado pelo BTG, que faz parte do mesmo grupo de controle da EXAME.
Recomendação de Compra e Perspectivas de Valorização
Em um relatório divulgado nesta quinta-feira, 23, o banco reiterou sua recomendação de compra para a companhia, mantendo o preço-alvo em R$ 65. Esse valor sugere um potencial de valorização de aproximadamente 29% em relação ao fechamento de R$ 50,50 registrado na véspera, dia 22.
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A Dinâmica da “Segunda Onda” de Concorrência
Para o BTG, a chamada “segunda onda”, esperada entre 2025 e 2027, deve progredir de maneira mais gradual. O mercado já parece ter assimilado grande parte dessa dinâmica, o que deve suavizar os impactos nos resultados da locadora, diferentemente do que ocorreu na fase inicial, observada entre 2023 e 2024.
O Foco na Depreciação da Frota
O principal ponto de atenção que persiste é a questão da depreciação da frota, um fator que foi determinante em revisões negativas de lucro nos últimos anos. O relatório aponta que a Localiza vivenciou três ciclos consecutivos de impairment entre 2023 e 2025, refletindo ajustes nas estimativas de valor residual dos veículos.
Impactos da Concorrência Chinesa na Depreciação e Mercado
O avanço das marcas chinesas afeta essa dinâmica por múltiplos canais. No mercado de veículos novos, a maior concorrência pressiona os preços, afetando o custo de reposição da frota. No mercado de usados, os efeitos são sentidos na liquidez e nos valores residuais, elevando a volatilidade desses ativos.
Adaptação do Mercado e Estratégias de Negócio
A incorporação de novos modelos, especialmente os chineses, altera o perfil da frota e, consequentemente, o padrão de depreciação. Diferente da primeira onda, onde os efeitos foram abruptos e simultâneos, a avaliação atual é que o mercado aprendeu com o choque inicial.
Montadoras, locadoras e revendedores passaram a adotar premissas mais conservadoras.
A própria Localiza ajustou sua estratégia, integrando modelos chineses com maior cautela, principalmente em contratos corporativos, aluguel mensal e assinatura. O banco projeta que a segunda etapa será marcada pela expansão de portfólios já existentes e pela chegada de novas marcas, como Jaecoo, Seres, Neta, GAC e MG, que seguirão modelos de pioneiras como BYD e GWM.
Projeções Financeiras e Perspectivas Futuras
Os dados compilados pela Fenabrave mostram que as montadoras chinesas representam cerca de 13% das vendas de veículos novos no Brasil em 2026, com BYD e GWM liderando. Apesar disso, as marcas tradicionais ainda dominam o mercado, com a maior demanda concentrada em carros abaixo de R$ 200 mil.
O BTG aponta que, embora o crescimento da frota eletrificada seja expressivo — saltando de 83 mil para mais de 670 mil unidades entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2026 —, o crescimento dos pontos de recarga ainda é limitado. Contudo, a visão geral do banco permanece positiva, projetando receita para a Localiza de R$ 48,6 bilhões em 2026 e R$ 52,4 bilhões em 2027.
O EBITDA deve crescer de R$ 13,8 bilhões em 2025 para R$ 15,5 bilhões em 2026, e o lucro líquido pode atingir R$ 4,3 bilhões em 2026. Os analistas consideram que a combinação de melhoria operacional e a normalização da depreciação podem destravar valor significativo para a empresa nos próximos anos.
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