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Dia Mundial Sem Tabaco: Hábitos Nocivos e Recuperação do Corpo
Em 31 de outubro, foi celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, evento que visa conscientizar sobre os danos do hábito de fumar ao organismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 8 milhões de mortes em todo o mundo são atribuídas ao tabagismo anualmente.
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No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta para 161 mil mortes anuais decorrentes do consumo de cigarros.
O tabagismo afeta o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções, e compromete a saúde cardiovascular, podendo levar a hipertensão arterial sistêmica e aterosclerose. Segundo Vanessa Zago, médica de família e integrante do Programa Fumo Zero da Amil, o ato de fumar eleva a secreção de substâncias nocivas na boca, esôfago e estômago.
Além disso, pode causar alterações no sistema reprodutivo, afetando a fertilidade e a gravidez.
Marcio Sousa, cardiologista e chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, explica que as toxinas do cigarro lesionam o endotélio, o revestimento interno das artérias, favorecendo inflamação e o acúmulo de gordura.
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Essa formação de placas pode romper, gerando coágulos que bloqueiam artérias do coração (infarto) ou do cérebro (AVC). Ele alerta que o fumante passivo também corre riscos, devido à exposição à fumaça tóxica.
Vanessa Zago ressalta que a exposição frequente à fumaça aumenta o risco de câncer de pulmão, doenças cardiovasculares, asma e infecções respiratórias. Em crianças, a exposição pode causar bronquite, pneumonia e crises asmáticas. Marcio Sousa complementa que “o fumo passivo não tem nível seguro de exposição”.
Regeneração do Corpo Após o Abandono do Tabagismo
Após a interrupção do tabagismo, o corpo apresenta sinais de regeneração. Os bronquíolos, responsáveis pela defesa e limpeza das vias respiratórias, começam a recuperar sua capacidade. “O organismo inicia um processo de recuperação quase imediato”, declara Marcio Sousa.
Os cílios presentes no revestimento dos brônquios, que ficam obstruídos por muco em fumantes, são regenerados, facilitando a remoção de impurezas e partículas inaladas. No entanto, o médico alerta que nem todos os danos são irreversíveis, e lesões estruturais no pulmão podem persistir mesmo após a cessação do tabagismo.
A melhora na função circulatória ocorre gradualmente, com efeitos perceptíveis em diferentes prazos: 20 minutos após o último cigarro, a pressão e o pulso começam a normalizar; em 12 horas, os níveis de monóxido de carbono caem; em 2 a 12 semanas, a circulação melhora; em 3 a 9 meses, a redução de sintomas respiratórios e o aumento da energia são observados; em 1 ano, o risco de doença coronária cai pela metade; em 5 anos, o risco de AVC pode se igualar ao de um não fumante; e em 10 a 12 anos, o risco de infarto e câncer relacionado ao tabaco se aproxima do de um não fumante.
Apoio Médico e Hábitos para Cortar o Fumo
Vanessa Zago destaca a importância do apoio psicológico e do tratamento medicamentoso, com acompanhamento médico, como aliados no processo. A terapia inclui a reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina. Ela também enfatiza o papel do suporte familiar e dos grupos de apoio.
Marcio Sousa sugere medidas como atividade física leve a moderada, hidratação frequente, sono regular, evitar jejum prolongado, trocar gatilhos e reduzir o consumo de álcool.
O profissional reforça a importância do suporte cognitivo-comportamental com profissionais da saúde e do tratamento medicamentoso. “Todos esses hábitos não substituem tratamento, mas tornam o processo mais leve, mais rápido e com menos recaídas”, conclui.
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