Aférese Revoluciona Tratamento da Pré-Eclâmpsia: Avanço Promissor para Gestantes

Pesquisadores Alcançam Controle da Pré-Eclâmpsia com Aférese
Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos anunciou um avanço significativo no tratamento da pré-eclâmpsia, uma condição grave que afeta gestantes devido à hipertensão. A equipe conseguiu, por meio de uma técnica de filtragem sanguínea chamada aférese, influenciar o curso da doença.
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O estudo, considerado um ensaio clínico “piloto”, envolveu sete mulheres grávidas e apresentou resultados promissores.
Os dados indicam que a aférese contribuiu para desacelerar a progressão da pré-eclâmpsia, uma condição que, atualmente, só oferece tratamentos paliativos. Em casos avançados, a doença representa riscos significativos para a mãe e o bebê. Geralmente, a melhora só é observada após o parto, o que pode levar a interrupções prematuras da gestação e, consequentemente, a nascimentos prematuros.
O objetivo principal da prática clínica é evitar que a doença evolua para a eclâmpsia, que se caracteriza por convulsões e aumenta ainda mais os riscos para a mãe e o feto. Durante o estudo, a aférese permitiu um controle parcial da condição, prolongando a gestação em um período superior a duas vezes maior do que o grupo de comparação, com uma média de 10 dias contra 4 dias.
Esse intervalo adicional, embora limitado, pode ter um impacto positivo no desenvolvimento fetal, especialmente em casos diagnosticados precocemente.
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Detalhes da Pesquisa
Os resultados foram publicados na edição mais recente da Nature Medicine. A pesquisa focou na proteína tirosina-kinase-1 de forma FMS, conhecida como sFlt-1, que tem sido associada à progressão da pré-eclâmpsia em estudos anteriores. A técnica de aférese permitiu a remoção da proteína do sangue das pacientes, seguida da reinfusão do material filtrado.
O processo utilizou anticorpos desenvolvidos para atuar especificamente sobre a sFlt-1. “As reduções vistas na pressão arterial média após a aférese tiveram forte correlação com a redução de sFlt-1 em circulação”, afirmaram no estudo os cientistas liderados por Ravi Thadhani, do Cedars-Sinal Medical Center de Los Angeles (EUA). “Além disso, a remoção seletiva da sFlt-1 por aférese parece ser bem tolerada por mulheres com pré-eclâmpsia muito precoce.”
Próximos Passos e Testes
Antes de serem aplicadas em gestantes, a abordagem foi testada em babuínos, com redução de 50% na concentração da proteína no sangue. A técnica também foi aplicada em voluntárias não gestantes para avaliação de segurança. Somente após essa etapa, o estudo avançou para pacientes com diagnóstico confirmado.
Nos testes clínicos, a intensidade da terapia foi menor que a aplicada nos animais, com redução média de 17% da proteína. Os autores indicam que os resultados não permitem conclusões definitivas sobre a adoção ampla do método. O estudo viabiliza a condução de ensaios clínicos de fase I e II, com grupos maiores e comparação entre pacientes submetidas ou não à aférese.
“Embora sejam necessários ensaios clínicos controlados para determinar se essa estratégia prolonga a gestação e é eficaz em casos de pré-eclâmpsia muito prematura, nosso estudo fornece a base necessária para abordar uma das complicações mais devastadoras da gravidez”, escreve Thadhani.
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